Bandar, condenado à morte precisamente pelo "caso Dujail", nasceu em 1944, formou-se em Direito em meados dos anos 60, e pouco depois ocupou diferentes cargos judiciais no sistema jurídico iraquiano, sem especial relevância, até que foi chamado ao Palácio Presidencial por Saddam Hussein, que tinha assumido o poder em 1979.
Quando Saddam sofreu o primeiro atentado em Dujail, do qual saiu ileso, encarregou Bandar que presidisse o Tribunal Revolucionário que julgaria todos os supostos implicados.
Centenas de pessoas, todas xiitas de Dujail, foram processadas naquele julgamento sumaríssimo realizado na cidade de Bagdá.
Este foi o primeiro massacre organizado pelo regime de Saddam, e foi visto como uma sentença claramente politizada, ditada como um aviso para todos aqueles que ousassem atravessar o caminho de Saddam.
No entanto, durante o julgamento por aqueles fatos, Bandar insistiu na legalidade e na justiça do processo, e lembrou que todos os julgados tiveram direito à apelação.
Segundo Bandar, os 148 condenados à morte confessaram sua participação ou implicação no atentado contra Saddam, o que justificaria suas execuções.
Awad Hamad al-Bandar não voltou a ter outra responsabilidade de importância durante os 20 anos seguintes do regime de Saddam, e de fato seu nome nem sequer aparecia entre os 55 do famoso baralho dos "mais procurados" do regime, divulgado pelo Governo americano.
Detido em data desconhecida após a queda de Saddam, Bandar apareceu mais tarde diante das câmaras de televisão quando compareceu aos juízes pelo "caso Dujail", e jamais se mostrou arrependido de ter ditado uma condenação de morte em massa.

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