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 Iraque: executado juiz que ordenou morte de 148
15 de janeiro de 2007 05h05 atualizado às 15h09

Awad Hamad al-Bandar, que foi executado hoje, entrará para a história por ser o juiz que assinou 148 sentenças de morte como presidente do Tribunal Revolucionário que julgou os supostos implicados no atentado frustrado de 1982 contra Saddam Hussein na aldeia xiita de Dujail.

Bandar, condenado à morte precisamente pelo "caso Dujail", nasceu em 1944, formou-se em Direito em meados dos anos 60, e pouco depois ocupou diferentes cargos judiciais no sistema jurídico iraquiano, sem especial relevância, até que foi chamado ao Palácio Presidencial por Saddam Hussein, que tinha assumido o poder em 1979.

Quando Saddam sofreu o primeiro atentado em Dujail, do qual saiu ileso, encarregou Bandar que presidisse o Tribunal Revolucionário que julgaria todos os supostos implicados.

Centenas de pessoas, todas xiitas de Dujail, foram processadas naquele julgamento sumaríssimo realizado na cidade de Bagdá.

Este foi o primeiro massacre organizado pelo regime de Saddam, e foi visto como uma sentença claramente politizada, ditada como um aviso para todos aqueles que ousassem atravessar o caminho de Saddam.

No entanto, durante o julgamento por aqueles fatos, Bandar insistiu na legalidade e na justiça do processo, e lembrou que todos os julgados tiveram direito à apelação.

Segundo Bandar, os 148 condenados à morte confessaram sua participação ou implicação no atentado contra Saddam, o que justificaria suas execuções.

Awad Hamad al-Bandar não voltou a ter outra responsabilidade de importância durante os 20 anos seguintes do regime de Saddam, e de fato seu nome nem sequer aparecia entre os 55 do famoso baralho dos "mais procurados" do regime, divulgado pelo Governo americano.

Detido em data desconhecida após a queda de Saddam, Bandar apareceu mais tarde diante das câmaras de televisão quando compareceu aos juízes pelo "caso Dujail", e jamais se mostrou arrependido de ter ditado uma condenação de morte em massa.

EFE
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