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 Tribunal apresenta provas contra Saddam em julgamento
08 de janeiro de 2007 12h52 atualizado às 14h00

A cadeira de Saddam ficou vazia no julgamento. Foto: Reuters

A cadeira de Saddam ficou vazia no julgamento
Foto: Reuters

A promotoria apresentou hoje, durante o julgamento de seis ex-dirigentes iraquianos pelo massacre de 182 mil aldeões curdos, uma gravação em que Saddam Hussein é ouvido dizendo: "Melhor utilizar a arma química num lugar povoado, para que cause os maiores danos possíveis". O processo contra ex-dirigentes do antigo regime baathista, acusados da matança de 182 mil curdos nos anos 1980, foi retomado nesta segunda-feira, em Bagdá, no Alto Tribunal Penal iraquiano, após o enforcamento de Saddam Hussein, enforcado no dia 30 de dezembro pela morte de xiitas.

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A cadeira reservada a Saddam ficou vazia no tribunal. A corte decidiu abandonar todos os procedimentos legais contra Saddam e continuar o julgamento dos outros seis ex-dirigentes acusados, entre eles um primo de Saddam Hussein, Hassan Al Majid, apelidado de "Ali, o Químico". Todos correm o risco de serem condenados à morte.

"Assumirei a responsabilidade de utilizar a arma química. Ninguém pode decidir sobre um ataque químico sem minha autorização", declara o ex-ditador na gravação, apresentada pela acusação. "É melhor utilizar essa arma num lugar povoado, para que cause os maiores danos possíveis", acrescenta a gravação.

"Devemos deslocar o povo curdo para outras províncias e outros países (...) pôr fim à nacionalidade curda, fazer terminar os atos dos sabotadores curdos. Devemos fazer todo para que possam viver e trabalhar em Tikrit e se converterem em árabes", explica a voz. "Os curdos são um povo muito agressivo, tem todas as características dos iranianos", acrescenta a gravação.

O processo pelas campanhas militares de Anfal, em que 182 mil curdos foram assassinados em 1987-1988, segundo a acusação, foi retomado nesta segunda-feira pela manhã, em Bagdá, no Alto Tribunal Penal iraquiano.

Nesta segunda-feira, os debates começaram com a apresentação, por parte da promotoria, de novos documentos contra Hassan al Majid.

A acusação divulgou um vídeo que mostra "Ali, o Químico" em uniforme de parada, declarando em duas oportunidades durante uma cerimônia militar: "Eu os atacarei com armas químicas".

Novas imagens das vítimas dos bombardeios químicos foram igualmente mostradas: "olhem estas crianças, suas peles queimadas, são estes os sabotadores, os agentes do Irã?", pergunta o procurador, dirigindo-se a "Ali, o químico".

AFP
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