Horas depois dos comentários de Brown, uma porta-voz de Blair disse no domingo que o primeiro-ministro apóia a investigação iraquiana sobre a maneira como o enforcamento foi conduzido. "Ele acredita que a maneira da execução foi completamente errada, mas que isso não deve nos levar a esquecer os crimes que ele (Saddam) cometeu, incluindo as mortes de centenas de milhares de iraquianos como ato de política deliberada".
Um vídeo feito por telefone celular mostra observadores gritando para Saddam "Vá para o inferno" e cantando o nome de um clérigo xiita antes de o ex-líder iraquiano cair na forca. As imagens provocaram críticas internacionais e inflamaram as paixões sectárias no Iraque. O primeiro-ministro Nuri Al-Maliki prometeu uma investigação.
Brown, que deverá assumir como premiê quando Blair deixar o cargo neste ano, disse que "agora que conhecemos o quadro geral do que aconteceu, podemos resumir isso como uma sequência deplorável de eventos". Brown disse, ao apresentar sua posição como futuro premiê em entrevista transmitida pela BBC TV neste domingo, que "até mesmo estas pessoas, ao contrário de mim, que são a favor da pena capital, acham isso completamente inaceitável. Não faz nada para diminuir as tensões entre as comunidades xiitas e sunitas".
Questionado sobre o enforcamento enquanto visitava um hospital de Londres na sexta-feira, Blair disse que "eu decidi falar sobre saúde hoje. Vou falar sobre todos os outros temas na próxima semana". Blair estava de férias na casa do artista Robin Gibb, do grupo Bee Gees, em Miami quando Saddam foi executado. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o enforcamento de Saddam deveria ter sido realizado de "maneira mais digna", mas argumentou que ele recebeu justiça, ao contrário de suas vítimas.
Brown, que esteve no Iraque em novembro para visitar tropas britânicas posicionadas no sul do país, prometeu que se for premiê vai falar abertamente com Bush. Blair é chamado por críticos por "cão poodle de Bush". "Obviamente, pessoas que me conhecem sabem que vou ser sincero. Vou ser muito franco", disse ele à BBC. "O interesse nacional britânico é o que me importa e aos meus colegas".
Mas acrescentou: "Acho que todo mundo que me conhece sabe que trabalhei muito próximo com membros de ambos os partidos na América durante anos". Brown enfrenta um desafio duro ao entrar no lugar de Blair. O governo trabalhista foi abalado pela guerra no Iraque e por uma série de escândalos, e a oposição conservadora recobrou a força com o jovem líder David Cameron.

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