Em uma entrevista à "Rádio Cooperativa", Insunza declarou que é "possível" que o organismo não tenha tratado do tema "com o devido interesse" e, caso essa postura persista, a família Pinochet recuperará o dinheiro que a Justiça reteve.
"O papel do Conselho de Defesa do Estado é importante. Ele deveria ter mais interesse nisto, porque é dinheiro de impostos. Nós somos advogados de acusação particulares, mas quem deve sustentar a ação fundamental é o Conselho de Defesa do Estado. Espero que eles o façam", insistiu Insunza.
O advogado lamentou ainda a resolução da Corte de Apelações de Santiago, que, na quarta-feira, revogou os processos de vários membros da família Pinochet, por considerar que não eram cúmplices da evasão tributária de que o militar era acusado.
"O problema é que, se continuarmos assim, as propriedades voltarão para as mãos da família Pinochet, os 5 bilhões de pesos (US$ 9,3 milhões) apreendidos serão repartidos entre os herdeiros, e não serão investigadas outras linhas que poderiam explicar o enriquecimento ilícito de Pinochet", acrescentou o advogado.
Quando morreu em 10 de dezembro, Pinochet estava sendo processado por fraude tributária e utilização de passaportes falsos, e havia sido desaforado por malversação de fundos públicos.
Em sua resolução, o tribunal encarregado apenas manteve a acusação do ex-testamenteiro Oscar Aitken, como cúmplice de evasão tributária, e Marco Antonio Pinochet, como autor de declarações tributárias maliciosamente incompletas.
Foram inocentados da cumplicidade em fraude tributária e uso de passaportes falsos a esposa do ex-ditador, Lucía Hiriart; seus filhos Lucía, Verónica, Jacqueline e Marco Antonio Pinochet Hiriart, e sua esposa, Soledad Olave, entre outros.
Insunza, que é advogado de acusação em várias causas de violações dos direitos humanos, atribuiu este "retrocesso" ao fato de que o juiz encarregado da causa, Carlos Cerda, teve pouco tempo para investigar, devido aos recursos que a defesa de Pinochet apresentou contra ele, e que o mantêm temporariamente fora do caso.
O advogado afirmou que, desde agosto de 2005, Cerda não pôde investigar a parte relacionada com a malversação de fundos públicos mediante o uso de despesas reservadas da Casa Militar, que foram tirados do Chile de maneira irregular.
"Espero que, mais adiante, o juiz Cerda retorne, porque todas as queixas e implicações contra ele foram rejeitadas", acrescentou o advogado.
Alfonso Insunza disse que é impossível explicar como um funcionário público, que ao longo de sua vida ganhou US$ 1,5 milhão possa ter economizado os US$ 27 milhões que calcula-se que Pinochet deixou em contas no estrangeiro.

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