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Blecaute provoca caos em cidades dos EUA e Canadá

14 de agosto de 2003 17h46 atualizado às 22h18

Bombeiros ajudam a retirar pessoas do metrô. Foto: AP

Bombeiros ajudam a retirar pessoas do metrô
Foto: AP

Grandes cidades dos Estados Unidos e do Canadá foram atingidas por blecautes por volta das 16h (17h hora de Brasília) e pelo caos que se seguiu. Os blecautes foram registrados na área metropolitana de Nova York, Boston, Massachusetts, Cleveland, Ohio, Detroit, Michigan, Chicago, Toronto, Ontário e Ottawa, no Canadá. Uma sobrecarga na central elétrica de Niagara Mohawk é a causa mais provável do blecaute.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse na noite de hoje que o problema não se tratou de uma ataque terrorista. "Isso não foi uma ação terrorista". O presidente também disse que o governo federal está trabalhando com autoridades estaduais e municipais para restabelecer a eletricidade o mais rápido possível nas regiões afetadas pelo blecaute e acrescentou que as causas do apagão serão investigadas.

"Nós estamos lentamente, mas com certeza, resolvendo este grande problema nacional", afirmou, acrescentado estar "confiante de que conseguiremos restabelecer as coisas e deixá-las funcionando".

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, disse que a energia está voltando gradualmente à cidade, a partir do oeste e do norte, e com "muita sorte" a eletricidade pode voltar antes do anoitecer. "É um processo complexo que leva tempo, tudo precisa ser coreografado", disse ele. A energia deve estar de volta "nas próximas horas de um modo intermitente", disse ele. No entanto, Bryan Lee da Comissão Federal Reguladora de Energia (Ferc) disse que não há previsão de retorno.

O restabelecimento da energia em Ottawa, a capital do Canadá, pode levar dias, disse o diretor do serviço de eletricidade da cidade na quinta-feira. "Pode ser uma questão de horas ou pode levar alguns dias", afirmou Ron Stewart, diretor-executivo da Hydro Ottawa, em uma entrevista coletiva. Ottawa tem cerca de um milhão de habitantes.

A situação em Nova York é caótica. Mais da metade dos 19 milhões de habitantes do Estado foram atingidos. As pontes que ligam a ilha de Manhattan aos outros bairros da cidade foram tomadas por pedestres. A orientação da prefeitura de Nova York é que os cidadãos retornem para suas residências e aguardem em casa com as janelas abertas e com os equipamentos elétricos desligados.

O dia de hoje foi considerado muito quente em toda a região atingida pela falta de energia. O metrô parou de funcionar e diversas pessoas ficaram dentro dos trens, após quase duas horas elas foram retiradas. Os celulares também não funcionavam. Grandes blecautes atingiram a cidade de Nova York em 1977 e em 1965.

Causa
O gabinete do primeiro-ministro do Canadá, Jean Chretien, disse que um raio que caiu em uma usina elétrica perto de Niagara Falls causou o enorme blecaute. Um porta-voz do gabinete disse que autoridades nos dois lados da fronteira EUA-Canadá confirmaram que o raio atingiu a usina e deu início ao blecaute que deixou sem luz uma área de 9,3 mil quilômetros quadrados na nordeste dos EUA e na província canadense de Ontario.

Segundo funcionários da Prefeitura de Nova York, as altas temperaturas registradas nessa região, que, multiplicadas pelo fator umidade, chegaram a 40ºC, podem ter provocado a sobrecarga.

O prefeiro afirmou que a fumaça na usina Consolidated Edison, que fica na Rua 14, no sul de Manhattan, se deve à paralisação automática do funcionamento da usina, e não a um incêndio, como chegou a ser informado.

Usinas
As autoridades americanas fecharam sete usinas nucleares do nordeste dos Estados Unidos, revelou a comissão reguladora nuclear (NRC). Em um comunicado à imprensa, a NRC destacou que as usinas foram fechadas diante do perigo de instabilidade nos sistemas, mas garantiu que "todas as unidades estão seguras, utilizando seus geradores a diesel de emergência".

O NRC determinou o fechamento das usinas de Indian Point, Ginna, Fitzpatrick e Nine Mile Point, em Nova York, Perry, em Ohio, Fermi, em Michigan, e Oyster Creek, em Nova Jersey.

Aeroportos
A Administração Federal de Aviação (FAA) disse que os centros de controle e torres dos aeroportos em Nova York e outras cidades norte-americanas ficaram funcionando com geradores a diesel. O FAA disse que o tráfego dirigido para os três maiores aeroportos da área de Nova York foi paralisado, assim como o tráfego para Cleveland, Detroit, nos Estados Unidos, e Toronto e Ottawa, no Canadá.

A FAA revelou durante a noite que todos os aeroportos dos Estados Unidos foram reabertos, exceto o JFK de Nova York, que deverá operar a partir das 21h local (22h de Brasília). Dois aeroportos canadenses, em Ottawa e Toronto, ainda não estão recebendo pousos, mas já permitem decolagens. Os vôos para as duas cidades estão sendo desviados para Winnipeg, Dorval e Montreal.

A FAA paralisou os vôos porque os aeroportos sem eletricidade não poderiam verificar os passageiros, já que equipamentos de raio-X para checar passageiros e bagagens estavam inoperantes. Companhias aéreas norte-americanas disseram que o blecaute também afetou os aeroportos de Syracuse, Buffalo e Islip, no Estado de Nova York.

No aeroporto O'Hare de Chicago, todos os pousos e decolagens para Nova York, Cleveland, Detroit e Toronto foram cancelados. O aeroporto Dorval em Montreal, que foi afetado pela falta de energia, não permitiu a decolagem de todos os vôos para as cidades afetadas no Canadá e nos Estados Unidos.

Hotéis
Turistas e pessoas que trabalham em escritórios de Manhattan espalharam-se pelo chão do lobby do hotel Westin Times Square por não terem condições de deixar a cidade. "No momento, estamos lotados. As pessoas devem voltar a nos procurar mais tarde", disse um gerente que vigiava a porta do hotel Millennium Broadwayname, na rua 44, que não quis se identificar. "Estamos preocupados com a segurança".

Neal Rifkin, contador de Manhattan, foi recusado pelo Marriott Marquis, na Broadway. "Este é o terceiro ou quarto hotel que tento", disse. "Mas todos os lugares estão abarrotados". "Eu pagaria US$ 200 ou US$ 300 por um quarto, mas acho que não vou encontrar nada. devo dormir no escritório em vez de voltar para casa, em Nova Jersey", declarou.

No hotel Best Western Ambassador, o lobby estreito não estava sendo vigiado, mas estava totalmente às escuras, quase completamente vazio a não ser por um homem que dormia sobre uma pilha de malas, quase invisível na escuridão. A gerente Susanna Cohen disse que tinha cinco ou seis quartos vagos, mas que deveriam ser reservados para os empregados exaustos. "Temos pelo menos 20 empregados, e eles precisam ficar em algum lugar", explicou.

Canadá
Em Toronto, maior metrópole do Canadá, o sistema de transporte ficou paralisado e deixou milhares de pessoas presas enquanto a temperatura atingia os 30ºC. Tanto a Bolsa de Valores de Toronto, o principal centro de operações do país, quanto o Aeroporto Internacional Pearson estavam operando com geradores de energia.

Em Montreal e boa parte de Quebec havia energia. Um porta-voz do Aeroporto Dorval, em Montreal, afirmoui que todos os vôos para as cidades atingidas pelo blecaute tinham sido cancelados, incluindo os com destino a Toronto.

A capital do país, Ottawa, também foi atingida pelo blecaute. Um funcionário do Bank of Canada disse que a central do banco estava monitorando os acontecimentos. "Estamos nos informanado sobre a situação, mas isso aconteceu depois do fechamento dos mercados, então não prevemos impacto no dólar. Temos seguranças posicionados", disse o funcionário.

11 de setembro
Os nova-iorquinos viveram horas de desespero e acabaram relembrando os ataques de 11 de setembro de 2001. Autoridades federais e municipais agiram rapidamente para assegurar à população que o blecaute não era um ato terrorista. "Não há evidências de terrorismo", disse o prefeito Michael Bloomberg.

Para os nova-iorquinos, apesar das palavras do prefeito, o blecaute trouxe nervosismo lembrando os ataques ao World Trade Center ocorridos há menos de dois anos. Milhões de pessoas invadiram as ruas da cidade. "Todo mundo reagiu", disse a enfermeira Mary Horan, descrevendo seu local de trabalho. "De repente você começa a pensar no 11 de setembro".

Horan ficou presa, com várias outras pessoas, do lado de fora da Grand Central Station, que foi fechada, tentando encontrar um meio para chegar aos subúrbios. Os trens pararam de funcionar.

Jessica Nottes disse que estava no topo do Empire State Building quando a energia acabou. "Nós tivemos que descer 86 lances de escadas", disse ela. "Eu fico pensando sobre as Torres Gêmeas e como conseguiria chegar lá embaixo, nas todos estavam calmos".

Informações sobre o que estava acontecendo salpicavam nas ruas, e boatos voavam, como na manhã de 11 de setembro. "É toda a Costa Leste", disse um homem enquanto corria em Manhattan.

Redação Terra
  1. Apenas alguns bairros de Nova York tiveram a luz restabelecida durante a noite  Foto: AP

    Apenas alguns bairros de Nova York tiveram a luz restabelecida durante a noite

    Foto: AP

  2. Quem não conseguiu voltar para observou a cidade, iluminada pela lua  Foto: AP

    Quem não conseguiu voltar para observou a cidade, iluminada pela lua

    Foto: AP

  3. Não faltou energia para a Estátua da Liberdade  Foto: AP

    Não faltou energia para a Estátua da Liberdade

    Foto: AP

  4. A lua deu um espetáculo de beleza e foi uma fornecedora de luz durante a noite de Nova York  Foto: AP

    A lua deu um espetáculo de beleza e foi uma fornecedora de luz durante a noite de Nova York

    Foto: AP

  5. A Times Square continou cheia mesmo com o apagão  Foto: AP

    A Times Square continou cheia mesmo com o apagão

    Foto: AP

  6. O farol do carro serviu para iluminar a mesa na calçada em frente à pizzaria  Foto: AP

    O farol do carro serviu para iluminar a mesa na calçada em frente à pizzaria

    Foto: AP

  7. Em Nova York, foi adiado o jogo entre os Nets e os Gigantes de San Francisco programado para o Shea Stadium, que começaria uma hora após o blecaute  Foto: AP

    Em Nova York, foi adiado o jogo entre os Nets e os Gigantes de San Francisco programado para o Shea Stadium, que começaria uma hora após o blecaute

    Foto: AP

  8. Funcionários da pizzaria Slice of Harlem atendem a clientes. A loja ficou sem pizzas pela demanda no bairro do Harlem  Foto: AP

    Funcionários da pizzaria Slice of Harlem atendem a clientes. A loja ficou sem pizzas pela demanda no bairro do Harlem

    Foto: AP

  9. O Upper West Side de Manhattan é visto por Weehawken, Nova Jersey  Foto: AP

    O Upper West Side de Manhattan é visto por Weehawken, Nova Jersey

    Foto: AP

  10. Bombeiros ajudam a retirar pessoas do metrô.  Foto: AP

    Bombeiros ajudam a retirar pessoas do metrô.

    Foto: AP

  11. Mulher tenta fazer ligação na Grand Central Station. Os celulares ficaram fora do ar.  Foto: AP

    Mulher tenta fazer ligação na Grand Central Station. Os celulares ficaram fora do ar.

    Foto: AP

  12. Multidão toma conta da Madison Avenue.  Foto: AP

    Multidão toma conta da Madison Avenue.

    Foto: AP

  13. Pessoas fazem fila nas lojas para comprar pilhas e baterias;  Foto: AP

    Pessoas fazem fila nas lojas para comprar pilhas e baterias;

    Foto: AP

  14. Pedestres se aglomeram em frente ao tradicional Radio City Music Hall.  Foto: AP

    Pedestres se aglomeram em frente ao tradicional Radio City Music Hall.

    Foto: AP

  15. Um solitário observa a movimentação em uma Times Square apagada.  Foto: AP

    Um solitário observa a movimentação em uma Times Square apagada.

    Foto: AP

  16. Grupo de judeus ortodoxos se reúne na 5ª Avenida durante blecaute em Nova York  Foto: AP

    Grupo de judeus ortodoxos se reúne na 5ª Avenida durante blecaute em Nova York

    Foto: AP

  17. Pedestres e carros dividem espaço em uma das pontes de Nova York  Foto: AP

    Pedestres e carros dividem espaço em uma das pontes de Nova York

    Foto: AP

  18. Um policial pára no meio da Times Square, em Nova York, durante o blecaute que atingiu a cidade.  Foto: AP

    Um policial pára no meio da Times Square, em Nova York, durante o blecaute que atingiu a cidade.

    Foto: AP

  19. Após o blecaute que atingiu Nova York e outras cidades dos Estados Unidos e Canadá, pessoas tomam completamente a calçada em frente ao Rockfeller Center, em Manhattan.  Foto: AP

    Após o blecaute que atingiu Nova York e outras cidades dos Estados Unidos e Canadá, pessoas tomam completamente a calçada em frente ao Rockfeller Center, em Manhattan.

    Foto: AP

  20. Centenas de pessoas recorrem aos telefones públicos após o blecaute que causou caos urbano em Nova York.  Foto: AP

    Centenas de pessoas recorrem aos telefones públicos após o blecaute que causou caos urbano em Nova York.

    Foto: AP

  21. Novaiorquinos atravessam a Sexta Avenida, na altura da Rua 50, depois que o blecaute que atingiu o nordeste dos Estados Unidos e o Canadá derrubou a sinalização pública na cidade.  Foto: AP

    Novaiorquinos atravessam a Sexta Avenida, na altura da Rua 50, depois que o blecaute que atingiu o nordeste dos Estados Unidos e o Canadá derrubou a sinalização pública na cidade.

    Foto: AP

  22. Pessoas são retiradas do metrô em Manhattan, devido ao corte de energia que interrompeu o sistema de transporte em Nova York.  Foto: AP

    Pessoas são retiradas do metrô em Manhattan, devido ao corte de energia que interrompeu o sistema de transporte em Nova York.

    Foto: AP

  23. A calçada em frente ao Rockfeller Center, em Nova York, fica completamente tomada de pessoas que deixaram seus prédios, devido ao blecaute que cortou os sistemas de ar condicionado.  Foto: AP

    A calçada em frente ao Rockfeller Center, em Nova York, fica completamente tomada de pessoas que deixaram seus prédios, devido ao blecaute que cortou os sistemas de ar condicionado.

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