Os dois estrangeiros suspeitos de terrorismo vêm recusando a alimentação há mais de um ano, em protesto contra a detenção por tempo indeterminado sem acusação formal. A polêmica base de Guantánamo abriga mais de 400 suspeitos de terrorismo.
Para que eles não morram, as Forças Armadas dos EUA têm alimentado os dois prisioneiros forçosamente com nutrientes líquido duas vezes ao dia, por sondas que vão das narinas até o estômago, disseram médicos da prisão aos jornalistas.
Mas o cronograma foi ajustado durante o Ramadã para que os prisioneiros pudessem participar do jejum. Nesse mês, os muçulmanos devotos não comem com a luz do dia. A primeira dose de alimentação foi dada antes do nascer do sol, e a segunda foi adiada para depois do anoitecer.
Os dois prisioneiros são os únicos que ainda prosseguem com a manifestação, que em junho contou com a participação de um quinto da população de detentos de Guantánamo. Desde o início do ano, os médicos da prisão prendem os detentos em greve de fome em cadeiras especiais, para que eles não arranquem a sonda de alimentação.
Os prisioneiros já afirmaram que as alimentações forçadas provocam uma dor insuportável e são equivalentes a tortura. A prática também já foi fortemente criticada por grupos de defesa dos direitos humanos. Associações médicas a classificaram como antiética.
Mas os responsáveis por Guantánamo dizem que a prática faz parte de uma política antiga de preservar a vida dos suspeitos. "Não é nosso objetivo participar de nenhum tipo de punição", disse uma enfermeira, que não quis se identificar.
As autoridades médicas da base, que preferem chamar a prática de "alimentação involuntária", disseram que os dois prisioneiros se acostumaram a ser alimentados pela sonda, a ponto de escolher qual narina querem utilizar para cada refeição.
"Não há nenhuma força envolvida no processo", disse a enfermeira. "Força tem uma conotação meio negativa."
Segundo o contra-almirante Harry Harris, que comanda a força-tarefa que dirige a prisão, o Ramadã foi "bem calmo" este ano, sem os conflitos presenciados nos anos anteriores.
Mas ele disse que o banquete que marca o fim do Ramadã, o Eid al Fitr, teve de ser servido duas vezes, porque alguns prisioneiros não acreditaram que o mês havia acabado e fizeram jejum um dia a mais, temendo estar sendo enganados.

- Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.



Assista agora »
Assista agora »
Assista agora »


