Vários outros líderes da Al Qaeda já passaram pela escola dirigida pelo clérigo pró-Taliban Maulana Liaqatullah, morto com cerca de 80 seguidores no ataque, disseram as autoridades à imprensa um dia depois da operação.
Entre os outros militantes que frequentaram a madrassa, na cidade de Chenagai, perto da fronteira com o Afeganistão, no noroeste do Paquistão, está Abu Obaida al-Misri, egípcio que teria sido o autor do plano para explodir aviões que decolavam de Londres descoberto pela polícia britânica este ano.
As autoridades disseram que ele era o mentor de Rashid Rauf, um muçulmano britânico preso no Paquistão em agosto, e que seria uma peça central da conspiração.
As informações são de que não havia nenhuma personalidade importante na escola no momento do ataque. A ordem para a operação foi dada antes que os militantes fossem enviados em missões — possivelmente ataques suicidas contra tropas da Otan e do Afeganistão.
"A madrassa estava sendo vigiada desde julho, quando as atividades ganharam ritmo", disse uma autoridade.
Em janeiro, um míssil Predator operado pela CIA tentou matar Zawahri no vilarejo de Damadola, perto da fronteira com o Afeganistão. Mas Zawahri não estava lá, e as informações de que Al-Misri havia morrido revelaram-se incorretas.
O governo paquistanês vem tentando persuadir os militantes tribais a aceitar os termos de um acordo de paz semelhantes aos obtidos na duas áreas tribais mais inquietas, Waziristão do Norte e do Sul, mas até agora sem sucesso. Líderes tribais, que convocaram combatentes no local da madrassa destruída após o ataque, têm ignorado todas as advertências.
As autoridades mostraram aos repórteres imagens aéreas feitas com lentes de visão noturna de homens se exercitando antes do amanhecer, uma hora antes do ataque com os mísseis.
Os moradores disseram que os mortos, a maioria jovens de 15 a 25 anos, eram apenas estudantes. Mas o presidente Pervez Musharraf afirmou num seminário em Islamabad que todos os mortos eram militantes. "Sabemos quem eles são. Estavam fazendo treinamento militar", disse Musharraf.
Mais de 15 mil homens armados protestaram contra o ataque em Khar, principal cidade da província de Bajaur, e políticos muçulmanos inflamaram o sentimento anti-Ocidente e anti-Musharraf entre os pashtuns de várias cidades. O cinturão pashtun, que fica ao longo da fronteira entre Paquistão e Afeganistão, é o maior reduto da impopularidade da aliança de Musharraf com os Estados Unidos.
Os moradores de Khar gritavam slogans como "Vida longa a Osama" e "Vida longa ao mulá Omar". "Nossa jihad vai continuar e, se Deus quiser, o povo vai ao Afeganistão expulsar as forças americanas e britânicas", disse o clérigo pró-Taliban Maulana Faqir Mohammad à multidão, muitos carregando fuzis Kalashnikovs e cintos de munição, e alguns armados de lançadores de foguete de ombro.
Políticos muçulmanos disseram que na verdade o ataque à escola foi perpetrado por um avião-espião norte-americano, mas porta-vozes do Paquistão e dos EUA negaram. "A operação inteira foi realizada por nossas forças. Todos os recursos, incluindo de inteligência, eram nossos", disse o major-general Shaukat Sultan, embora autoridades já tenham dito que a inteligência teve várias origens.

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