O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse em entrevista coletiva que Bush "deixou claro que os dois compartilham um interesse comum, que é combater o terrorismo e garantir que os dois Estados tenham êxito", e lembrará isso hoje em um jantar de "iftar" (ruptura do jejum no mês do Ramadã).
Bush já se reuniu separadamente com os dois governantes nos últimos dias: com Musharraf na sexta-feira e com Karzai nesta terça-feira.
Karzai e Musharraf fazem acusações mútuas de não agir o suficiente na luta contra o terrorismo, em uma troca de reprovações que aumentou gradualmente ao longo da última semana.
Estas acusações coincidem com a grave deterioração nos últimos meses da situação de segurança no Afeganistão, que passa por um dos piores momentos desde a invasão liderada pelos EUA em 2001 e que, de acordo com alguns especialistas, ameaça se transformar em um novo Iraque.
As forças de segurança afegãs mataram hoje 25 insurgentes na província de Helmand (sul do país), onde os talibãs estão se tornando fortes, enquanto as forças da Otan voltaram hoje a ser objeto de ataques dos insurgentes.
Em uma entrevista à televisão canadense emitida hoje, Musharraf acusou Karzai de mentir sobre a situação. "Acho que não está dizendo a verdade. Isso é o que acho. Ele sabe qual é a verdade. Para ele é mais conveniente esconder a verdade e acusar o Paquistão", disse.
No centro da disputa entre os dois países está o acordo de não agressão recentemente alcançado entre Islamabad e as tribos do Waziristão (na fronteira noroeste).
Esse acordo exige que as tropas paquistanesas deslocadas para a região após os atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA, não ataquem os extremistas, enquanto as tribos não devem permitir ataques contra a fronteira afegã ou contra as tropas da Otan no sul do Afeganistão.
Musharraf defendeu o acordo como "uma maneira integral" de lutar contra o terrorismo, enquanto Cabul considera que a medida pode criar um esconderijo para os extremistas em uma das zonas de acesso mais difícil em todo o mundo.
Em entrevista coletiva com Bush na terça-feira, Karzai disse que "o mais importante é que não seja permitido aos terroristas atravessar a fronteira rumo ao Afeganistão para atacar a coalizão contra o terrorismo, ou seja, a comunidade internacional e o Afeganistão".
"Teremos que esperar e observar se o acordo assinado será colocado em prática", disse o presidente afegão.
A Casa Branca, mais cética a princípio, expressou hoje seu apoio a esse acordo.
"A princípio, foi interpretado como um pacto com os talibãs. Mas é tudo menos isso. É um pacto contra os talibãs", disse Snow.
Os especialistas consideram imprescindível que exista uma cooperação fluente entre Cabul e Islamabad para enfrentar a piora da situação no Afeganistão.

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