Notícias » Mundo » Mundo

 Guerra do Iraque gerou mais extremismo islâmico, diz relatório
26 de setembro de 2006 20h42

Comentários
 
A guerra do Iraque gerou um grave ressentimento no mundo muçulmano e fez com que os extremistas recrutassem mais simpatizantes, diz um relatório do serviço secreto dos EUA que foi divulgado parcialmente hoje.

O relatório chamado "Tendências no Terrorismo Global: Implicações para os EUA" teve quatro páginas liberadas por ordem do presidente George W. Bush. Segundo o documento, "a Guerra no Iraque está dando forma a uma nova geração de líderes e operações terroristas".

O presidente americano ordenou a divulgação de apenas 4 das 30 páginas do documento classificado como sigiloso.

Segundo a análise, já entregue parcialmente à imprensa no último fim de semana, a rede terrorista Al Qaeda "continuará como a principal ameaça para os EUA e seus interesses no exterior", embora os movimentos extremistas "se multipliquem e se adaptem aos esforços de combate ao terrorismo".

A dispersão destes grupos e a falta de um alvo comum "torna mais difícil a localização e o combate a eles".

Caso esta tendência persista, o relatório ou "avaliação nacional de inteligência" - elaborado pelos 16 serviços secretos dos EUA e apresentado ao Congresso em abril - prevê mais ameaças contra os interesses dos EUA, tanto em seu território como no exterior, o que conduzirá "a mais atentados no mundo todo".

Os especialistas de combate ao terror afirmam que a Guerra do Iraque se tornou a principal causa dos extremistas e "está dando forma a uma nova geração de líderes e operações terroristas".

Os analistas dizem que há quatro fatores que alimentam a difusão da ideologia extremista muçulmana: "Agravantes arraigados - como a corrupção, a injustiça e o medo da dominação ocidental" -, a guerra iraquiana, a lentidão das reformas sócio-econômicas e políticas em seus países e "o sentimento antiamericano entre a maior parte dos muçulmanos".

A divulgação parcial do relatório levou a um grande número de ataques ao Governo por parte da oposição democrata, que disse que o documento confirma que a Guerra do Iraque distraiu recursos e atenção da luta contra o terrorismo.

No relatório, os analistas não falam destes extremos.

Embora tenha apresentado um panorama pouco positivo sobre a situação, a análise aponta que uma derrota dos extremistas no Iraque poderia ser definitiva na luta contra o terrorismo.

"Caso os extremistas muçulmanos abandonem o Iraque, se percebendo e sendo percebidos como derrotados, acreditamos que menos combatentes serão inspirados para continuarem a luta", diz o documento.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.