"Se deixarmos fazerem o que quiserem, sairmos do Iraque e não mantivermos nosso trabalho de apoio em relação aos que desejam liberdade, dentro de 50 anos a História olhará para trás e exigirá saber o porquê de não termos agido", afirmou.
Em discurso na Associação Americana de Oficiais Militares, Bush disse, baseando-se em documentos supostamente apreendidos da rede Al Qaeda, que a organização quer estabelecer um califado islâmico radical e violento com sede no Iraque, e prometeu não deixar que isso aconteça.
O presidente dos EUA disse que seu país não recuará em sua luta contra o terrorismo "até que a ameaça tenha sido eliminada".
Declarou também que os EUA "não aceitarão nada que não seja uma vitória" e que a nação não vai "se rebaixar diante dos tiranos".
Após manifestar que não se deve "subestimar" o inimigo, Bush se mostrou convencido de que o "caminho que resta na luta contra o terrorismo é longo e requereria mais sacrifícios", e advertiu que os xiitas e os sunitas extremistas "querem impor seu radicalismo islâmico".
"O inimigo está atacando nossas forças no exterior", lembrou Bush em um ato assistido pelos embaixadores dos países que sofreram com o terrorismo internacional. O governante dos EUA se mostrou seguro de que os terroristas estão "convencidos que podem enfraquecer o país, mas estão errados".
O discurso coincide com a publicação, hoje, de um documento da Casa Branca sobre a luta antiterrorista no qual se reconhece que, apesar dos avanços obtidos, a rede Al Qaeda continua sendo muito perigosa, embora seu potencial tenha sido reduzido.
O relatório, de 23 páginas, também aponta que o país ganhou em segurança. "Mas o inimigo que enfrentamos hoje, na guerra contra o terrorismo, não é o mesmo que enfrentamos em 11 de setembro de 2001", assinala.
Em suas palavras diante dos militares dos EUA, Bush ressaltou, em várias ocasiões, que "o perigo terrorista" continua.
"Bin Laden e seus terroristas deixaram suas intenções tão claras quanto Lenin e Hitler", ressaltou o presidente, que em vários momentos forneceu informação reunida supostamente em cartas, documentos e gravações da Al Qaeda.
Como exemplo, o governante dos EUA citou um manual da Al Qaeda, que classificou como "horrível", supostamente encontrado pela Polícia britânica em 2000 durante uma operação, que incluía "instruções para derrotar e matar reféns".
Bush mencionou um relatório apreendido em outra operação recente no Iraque na qual, segundo o governante, são descritos planos para tomar a província iraquiana ocidental de Anbar, onde os terroristas estabeleceriam uma estrutura governamental com departamentos de educação, de serviços sociais, de Justiça e de execuções.
"Os terroristas que nos atacaram em 11 de setembro eram pessoas sem consciência, mas não loucos", disse o presidente.
Por outro lado, em seu discurso, Bush também reiterou suas advertências ao Governo de Teerã. O governante disse que a decisão do Irã de continuar com o enriquecimento de urânio significa "um isolamento do país".
"As nações livres não vão deixar que o Irã desenvolva seu programa nuclear", acrescentou Bush, que insistiu na busca de soluções "diplomáticas" para enfrentar o problema iraniano.
O discurso de Bush faz parte de uma série de palestras iniciadas na semana passada para analisar a atual situação na luta contra o terrorismo.
Após a divulgação do relatório da Casa Branca, os democratas publicaram outro documento sobre "os efeitos perigosos", segundo eles, das políticas de segurança republicanas. Segundo os democratas, as novas medidas de segurança deixaram os EUA "vulneráveis em um mundo instável".
Harry Reid, líder democrata no Senado, ressaltou que os números "não mentem e as estratégias de Bush não funcionam". "Os EUA estão menos seguros, enfrentam maiores ameaças e não estão preparados para o mundo perigoso em que vivemos", acrescentou.




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