Esta manhã, em mais um ato pelas comemorações em Katmandu e em outras partes do país, o príncipe Paras, herdeiro da coroa do Nepal, entregou placas comemorativas do aniversário a Hillary e a outros 200 conquistadores do Everest presentes a um congresso sobre a proteção do meio ambiente da montanha. A questão de limitar as permissões de escalada é o principal assunto deste ano de cinqüentenário entre os montanhistas que conseguiram chegar ao cume do Everest, principalmente entre seus mais míticos conquistadores, como Hillary, a japonesa Junko Tabei, que em 1975 tornou-se a primeira mulher a atingir o topo da montanha, e o italiano Reinhold Messner, o primeiro a subir sem usar oxigênio artificial.
Todos eles, em maior ou menor grau, pediram para o Governo nepalês restringir e até suspender durante vários anos as autorizações para subir o Everest, que nas últimas semanas foi conquistado por pelo menos 137 montanhistas. Messner, que também criticou a comercialização de expedições ao Everest, utilizadas como publicidade para grandes empresas, chegou a dizer que "nunca escalaria uma montanha como esta. Não se pode comprar a montanha e não se pode comprar a aventura".
Mas, para o Governo do Nepal, cujo país se transformou no último meio século de um Estado medieval e agrícola a um destino turístico internacional, é difícil renunciar aos US$ 50 mil cobrados a cada expedição extrangeira que pretende subir a maior montanha do mundo. Além disso, os montanhistas ainda gastam uma grande quantia de dinheiro durante sua estada no país.
Na montanha, pelo menos duas equipes tentam chegar ao topo ainda hoje, data do cinqüentenário, na mesma hora em que Hillary e Tenzing. Enquanto isso, grande parte das milhares de pessoas que se reuniram este ano no acampamento base do Everest, a 5.350 metros, já estão deixando o monte. Cerca de 500 montanhistas, pelo lado sul nepalês e pelo norte chinês, tentaram alcançar o pico este ano, um recorde.
A aventura de chegar ao topo da montanha mais alta do mundo já matou 176 montanhistas, o último, um indiando, na terça-feira passada. O corpo do montanhista indiando foi resgatado, mas o de outros 47 aventureiros ainda permanecem na montanha, congelados e na mesma posição em que estavam no momento em que morreram. Ontem, as comemorações foram abaladas pela queda de um helicóptero particular que caiu quando voltava do acampamento base para Katmandu. O acidente aconteceu quando as rodas do aparelho se chocaram contra as pedras, matando dois ocupantes nepaleses e ferindo outras sete pessoas.

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