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 Pioneiro do Everest ignora suspeitas sobre feito
28 de maio de 2003 13h16

Ao comemorar os 50 anos da sua escalada do monte Everest, o hoje octogenário Sir Edmund Hillary disse não se importar com a dúvida sobre se havia sido realmente o primeiro homem a subir o pico mais alto do mundo.

O que importa, diz, é que ele e seu parceiro na escalada, o nepalês Tenzing Norgay, foram os primeiros a voltar vivos da aventura. Uma das primeiras coisas que Hillary fez depois de atingir o topo do monte Everest 50 anos atrás foi procurar por sinais de uma expedição realizada 30 anos antes e malsucedida. Não encontrou nenhum.

"Isso é um grande mistério", disse Hillary na capital do Nepal, Katmandu. "E, me parece, esse mistério não será nunca desvendado." Em 1924, os alpinistas britânicos George Mallory e Sandy Irvine partiram de um acampamento a grande altitude para atingir o cume.

Apesar de o corpo de Mallory ter sido encontrado em 1999, sua câmera fotográfica e o corpo de Irvine nunca foram recuperados e não se sabe até hoje se a expedição fracassou na subida ou na descida.

"Há 40 anos, sou, por assim dizer, o herói do Everest. Assim, se agora descobrirem que Mallory chegou lá antes de mim, não tenho do que reclamar", disse Hillary, 83. "Talvez Mallory tenha atingido o pico. Talvez ele não o tenha feito. Mas ele certamente não voltou vivo para contar. Então, não importa o que aconteça, apesar de ele ser um herói, ele não completou o trabalho."

Desde que Hillary e Tenzing atingiram, no dia 29 de maio de 1953, o cume do Everest (a 8.850 metros de altura), mais de 1,2 mil pessoas realizaram o mesmo feito, incluindo um homem de 70 anos de idade, um outro cego e um homem que usava uma perna mecânica.

Ex-criador de abelhas, o neozelandês Hillary é uma pessoa humilde e acolhedora, de olhos brilhantes e sorriso pronto. "Quase sinto como se não merecesse isso. Sou apenas um velho neozelandês."

Reuters
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