Edmund Hillary (E), John Hunt (C) e Tenzing Norgay dão uma última olhada no Everest, na volta da expedição de 1953
Foto: Reuters
O sherpa Tenzing Norgay, que há meio século conquistou o topo do Everest junto com o neozelandês Edmund Hillary, acreditava quando era criança que nessa montanha viviam os deuses e a observava fascinado, enquanto cuidava dos iaques (animais típicos da região) de seu pai. "Não sei por quê, mas desde criança sentia que precisava chegar ao cume dessa montanha", comentou em 1953, poucas semanas depois de sua façanha, cujo aniversário de número 50 se comemora neste 29 de maio.
Nascido em 1914 em Tsa-Chu, em uma aldeia da encosta sul do Himalaia, Norgay pertencia à etnia dos sherpas, budistas procedentes do Tibete que se estabeleceram no Nordeste do Nepal. Desde jovem começou a acompanhar expedições de montanhistas e firmou uma reputação de legendária tenacidade. Em 1953, realizava sua sétima tentativa de conquistar o "teto do mundo". Um ano antes, tinha conseguido caminhar a 8,6 mil metros - um recorde então - com a expedição do suíço Raymond Lambert. "Ninguém fez mais tentativas de escalar o Everest do que eu", comentava. "Pequeno e concentrado", como costumava se definir, Norgay demonstrava força, resistência e uma agilidade que lhe valeram o apelido de "Tigre das neves".
Ao chegar ao topo do Everest no dia 29 de maio de 1953, Tenzing Norgay, budista fervoroso, ergueu um pequeno altar, onde deixou chocolate, uma lapiseira, que tinha recebido de presente de sua filha, além de outras oferendas. "Nunca estive ante semelhante vista e nunca voltarei a estar: selvagem, maravilhosa e terrível. Mas não senti nenhum medo: tinha muito carinho pelo Everest. Havia esperado por esse momento durante toda minha vida. Minha montanha não me pareceu uma coisa morta de rocha e gelo, mas quente, amiga e viva", contou Norgay.
O ex-pastor de iaques se converteu rapidamente em uma celebridade, distinguido pela coroa britânica e recebido pelo Papa. O governo indiano o colocou à frente de uma escola de sherpas e sua popularidade lhe serviu para defender a causa de seu povo, identificado desde então com as expedições no Himalaia.
Depois do Everest, Norgay se lançou a outras aventuras. Em 1963, escalou o monte Elbruz (5.642 metros) no Cáucaso, junto com sete montanhistas soviéticos. Também organizou expedições no Nepal para clientes endinheirados, mesmo sem deixar de lamentar a mercantilização do Himalaia. Passou seus últimos anos junto com sua segunda esposa, também sherpa, e seus seis filhos em uma aldeia indiana perto de Darjeeling, entre Nepal e Butão. Morreu no dia 9 de maio de 1986, aos 72 anos. Edmund Hillary, seu companheiro na conquista do Everest, se disse "profundamente traumatizado" com o desaparecimento de um dos mais extraordinários montanhistas de todos os tempos.
Nascido em 1914 em Tsa-Chu, em uma aldeia da encosta sul do Himalaia, Norgay pertencia à etnia dos sherpas, budistas procedentes do Tibete que se estabeleceram no Nordeste do Nepal. Desde jovem começou a acompanhar expedições de montanhistas e firmou uma reputação de legendária tenacidade. Em 1953, realizava sua sétima tentativa de conquistar o "teto do mundo". Um ano antes, tinha conseguido caminhar a 8,6 mil metros - um recorde então - com a expedição do suíço Raymond Lambert. "Ninguém fez mais tentativas de escalar o Everest do que eu", comentava. "Pequeno e concentrado", como costumava se definir, Norgay demonstrava força, resistência e uma agilidade que lhe valeram o apelido de "Tigre das neves".
Ao chegar ao topo do Everest no dia 29 de maio de 1953, Tenzing Norgay, budista fervoroso, ergueu um pequeno altar, onde deixou chocolate, uma lapiseira, que tinha recebido de presente de sua filha, além de outras oferendas. "Nunca estive ante semelhante vista e nunca voltarei a estar: selvagem, maravilhosa e terrível. Mas não senti nenhum medo: tinha muito carinho pelo Everest. Havia esperado por esse momento durante toda minha vida. Minha montanha não me pareceu uma coisa morta de rocha e gelo, mas quente, amiga e viva", contou Norgay.
O ex-pastor de iaques se converteu rapidamente em uma celebridade, distinguido pela coroa britânica e recebido pelo Papa. O governo indiano o colocou à frente de uma escola de sherpas e sua popularidade lhe serviu para defender a causa de seu povo, identificado desde então com as expedições no Himalaia.
Depois do Everest, Norgay se lançou a outras aventuras. Em 1963, escalou o monte Elbruz (5.642 metros) no Cáucaso, junto com sete montanhistas soviéticos. Também organizou expedições no Nepal para clientes endinheirados, mesmo sem deixar de lamentar a mercantilização do Himalaia. Passou seus últimos anos junto com sua segunda esposa, também sherpa, e seus seis filhos em uma aldeia indiana perto de Darjeeling, entre Nepal e Butão. Morreu no dia 9 de maio de 1986, aos 72 anos. Edmund Hillary, seu companheiro na conquista do Everest, se disse "profundamente traumatizado" com o desaparecimento de um dos mais extraordinários montanhistas de todos os tempos.

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