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 Filho de Norgay critica comercialismo na montanha
22 de maio de 2003 17h30 atualizado em 28 de maio de 2003 às 16h25

Montanhista mostra cilindros de oxigênio usados que recolheu no Everest. Foto: AP

Montanhista mostra cilindros de oxigênio usados que recolheu no Everest
Foto: AP

O filho de Tenzing Norgay criticou o comercialismo que transformou o Monte Everest em uma mera atração turística para gente em busca da fama, dizendo que a escalada é tão perigosa agora quanto na primeira vez em que o pico foi conquistado por seu pai, há cinqüenta anos.

"São seus dois pés que o levam até lá, e não o equipamento sofisticado que você tem", disse Jamling Tenzing Norgay em sua moderna casa de madeira na cidade de Darjeeling. "Mesmo que você tenha um monte de dinheiro, você precisa de experiência", completou Jamling. "Se você tem uma licença para pilotar um aviãozinho e quiser pilotar um Boeing, não dá."

Cinqüenta anos depois que Edmund Hillary e Tenzing pisaram pela primeira vez no pico da montanha de 8.850 metros, cerca de 1,2 mil pessoas seguiram seus passos. E 175 pessoas morreram tentando.

Mas a primeira escalada continua a ser lendária. Jamling disse que seu pai e Hillary usaram roupas de lã comuns e tiveram que carregar pesados cilindros de oxigênio e lenha, usada como combustível na expedição.

Hoje, os alpinistas têm sofisticados aparelhos de navegação, cilindros levíssimos e recursos avançados como cortadores de gelo de titânio, parafusos de gelo, cordas flexíveis e vestimentas pressurizadas.

Com as preparações pelo Nepal para a comemoração da primeira escalada, Jamling diz que seu pai, um inexperiente nepalês, e o apiculturista Hillary estavam destinados a chegar ao topo. "Acredito que era o destino deles. Os britânicos haviam enviado dois alpinistas antes do meu pai e Hillary, mas eles não conseguiram chegar ao alto", disse ele.

"Eles estavam escalando no desconhecido. As pessoas nem sabiam se dava para sobreviver acima de 8,5 mil pés sem roupa pressurizada." Depois, Tenzing adotou Darjeeling como seu lar, e comandou o Instituto de Montanhismo do Himalaia até sua morte. O sucesso também foi extraordinário porque a dupla não falava a mesma língua.

"Eles pertenciam a mundos completamente diferentes. Hillary não falava nepalês e meu pai não falava quase inglês", disse Jamling. "Eles se comunicavam por sinais e pela compreensão mútua. Eles conheciam as montanhas, conheciam um ao outro, sabiam quem andaria na frente e quem andaria atrás."

Jamling, que escalou o Everest duas semanas depois que oito pessoas morreram em 1996 no pior acidente na montanha, disse que sentiu a presença de seu pai quando atingiu o pico.

"Foi um grande momento. Eu me conectei com meu pai. Senti sua presença todo o tempo", disse. "É o meu carma. É maravilhoso ser filho de Tenzing Norgay, mas estarei sempre à sua sombra."

Reuters
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