A medida, já criticada pela oposição democrata, foi apresentada como uma alternativa política para acabar com os obstáculos entre as versões da reforma imigratória que ambas as Câmaras do Congresso aprovaram e cuja harmonização está em ponto morto.
A senadora Kay Bailey-Hutchison e o deputado Mike Pence afirmaram em entrevista coletiva que o projeto enfatiza a segurança na fronteira, resolve o problema dos 12 milhões de imigrantes ilegais nos EUA e oferece vistos temporários sem uma "anistia".
O programa de vistos temporários "Bom Vizinho" seria posto em prática dois anos depois da promulgação da lei e uma vez que o Executivo explique ao Congresso as medidas que tomou para corrigir falhas no sistema de contenção de imigrantes nas fronteiras.
"Nossa proposta oferece uma reforma integral no setor de imigração", destacou Hutchison.
Eles explicaram que a medida beneficiaria inicialmente apenas os imigrantes dos países que firmaram o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) - México e Canadá - e os do acordo assinado com a América Central e a República Dominicana, que teriam de retornar às nações de origem e solicitar de lá seus vistos.
"Esperamos ampliar os benefícios a outros países da América Latina que tenham boas relações com os EUA", mas somente se os legisladores conseguirem demonstrar que o projeto de lei funciona, afirmou.
Pence disse acreditar que a medida ganhará simpatia e conseguirá destravar este ano a reforma da imigração no Congresso.
"Quero deixar claro que isto não é uma via automática em direção à cidadania, mas também não impõe barreiras para que o povo não possa solicitar" a entrada legal nos EUA, disse Pence à Efe ao término da entrevista coletiva.
O visto concedido por meio do programa "Bom Vizinho" seria renovável por um período de até 12 anos, após o qual os estrangeiros poderiam solicitar outro tipo de visto por outros dois anos. Depois desta fase, poderiam pedir a residência permanente no país.
O projeto também estipula um aumento do número de agentes e inspetores de imigração e alfândega, a ampliação dos centros de detenção e um maior uso de tecnologia militar.
O entusiasmo de Hutchison e Pence contrasta com a aparente falta de vontade existente no Congresso para aprovar uma reforma de imigração ainda neste ano, como pediu a Casa Branca.
Em dezembro, a Câmara de Representantes (Baixa) aprovou uma proposta que, entre outras coisas, considera os imigrantes ilegais delinqüentes e pune quem os contratar ou os ajudar.
A versão que o Senado aprovou em maio inclui mais vigilância na fronteira, um programa de trabalhadores temporários e uma via para legalizar boa parte da população indocumentada. Em ano eleitoral, no qual os republicanos disputam o controle do Congresso, os mais conservadores insistem em uma política dura contra os imigrantes ilegais, com a eterna queixa de que são uma carga pública e um perigo para a segurança nacional.
Conscientes de que essa postura pode custar votos entre o eleitorado hispânico, outros buscam fórmulas para agradar a todos no debate da imigração.
Uma pesquisa divulgada pelo Fórum Nacional de Imigração (NIF, na sigla em inglês) e pelo centro de estudos Manhattan Institute, de estilo conservador, mostrou que 71% dos possíveis eleitores nas eleições de novembro apóiam a aprovação de uma reforma de imigração integral.
Entre os eleitores republicanos, o apoio é de 73%.
Angela Kelley, do NIF, disse à Efe que a nova medida "é muito curta" e que "nenhum imigrante ilegal vai querer sair do país sem garantias de obter um visto". "Mas é um grande passo, porque aqui temos dois conservadores reconhecendo que é necessário uma via rumo à legalização", declarou.

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