Num desafio à Grã-Bretanha e à França, o presidente egípcio anunciou a nacionalização do mesmo em 26 de julho de 1956, um feito que marcou a história do Egito e região. "A pobreza não é uma vergonha, e sim a exploração dos povos. Resgatamos os nossos direitos porque este canal é propriedade do Egito", afirmou Nasser em um discurso histórico na Alexandria.
Após a decisão, a Companhia Universal do canal marítimo de Suez, responsável por administrar as instalações, passou para as mãos de um grupo de egípcios fiéis ao presidente. O presidente Nasser justificou o gesto alegando que os Estados Unidos haviam se negado a financiar a construção da represa de Asuan.
O Egito daquela época se aproximava da União Soviética. Em um contexto de Guerra Fria, a decisão de tomar o controle de um dos principais pontos de passagem do petróleo entre os países árabes e a Europa provocou um terremoto político. No Ocidente, Nasser foi comparado a Hitler.
"Não podemos ter esse vagabundo metido em nossas vias de comunicação", disse então o ex-premier britânico Winston Churchill. A França pretendia punir Nasser por apoiar os rebeldes separatistas da Argélia, enquanto Israel queria garantir a circulação de suas embarcações pelo canal.
Ao fracassarem as negociações, o Exército de Israel invadiu a Faixa de Gaza, então sob controle egípcio, e a península do Sinai em 29 de outubro de 1956. Dois dias depois, as aviações francesa e britânica começaram a atacar o Egito. Nasser reagiu afundando as 40 embarcações que se encontravam no canal, que permaneceu fechado até o começo de 1957.
Embora as tropas francesas e britânicas tenham conseguido o controle do canal, o presidente americano Dwight Eisenhower condenou "o uso da força". Declarado o cessar-fogo, as forças de ocupação se retiraram em março de 1957.
Apesar de a derrota militar, Nasser obteve uma vitória política. A crise motivou a demissão do premier britânico Anthony Eden e marcou a queda das antigas potências coloniais européias frente aos Estados Unidos e à União Soviética.
Atualmente, ninguém discute a soberania egípcia sobre o canal, que emprega 25 mil pessoas e representa a terceira fonte de receita do país, depois do turismo e das remessas dos emigrantes. O aniversário da nacionalização será marcado pela discrição. Haverá algumas cerimônias, mas não exibições ou queima de fogos, no momento em que a região enfrenta uma grave crise com Israel.

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