"Estou muito contente, sobretudo porque é uma maneira de ajudar minha família", disse Guillermo Durazo, de 63 anos e originário do estado mexicano de Sonora, durante o ato realizado no Centro de Convenções de Tucson, capital do Arizona, que faz fronteira com o México. Para este imigrante, a obtenção da cidadania do país onde vive é importante porque, graças a ela, poderá conseguir mais rapidamente o "green card" para seus filhos e um de seus irmãos.
Embora Durazo viva há mais de 14 anos como residente legal nos EUA, disse que não tinha iniciado os trâmites para se tornar um cidadão deste país porque não domina o inglês. "Eu tinha muito medo. Nunca tive estudos. Nem aqui nem no México. Por isso, esperei ter a idade suficiente para que permitissem que eu fizesse o exame em espanhol", contou.
Assim como milhares de imigrantes, Durazo chegou aos EUA em busca de oportunidades como pedreiro. Agora, com dupla nacionalidade (a americana e a mexicana), Durazo garantiu que esta semana se inscreverá no censo eleitoral dos Estados Unidos, após ter votado, no domingo, nas eleições presidenciais do México.
O direito ao voto foi uma das razões pelas quais Janet Cortés decidiu se tornar uma cidadã americana. "É importante votar porque isso pode ajudar nossos irmãos, que precisam de uma reforma migratória", disse Cortés, de 32 anos e nascida no México.
Na sua opinião, as mudanças nas leis de imigração e a aprovação de projetos legislativos que buscam penalizar todos aqueles que cruzaram a fronteira de maneira ilegal fizeram com que muitos residentes legais decidissem optar pela cidadania americana.
"Se não votamos e ficamos em casa, vão expulsar nossas famílias", disse Cortés, que acrescentou que, direta ou indiretamente, "todos conhecem alguém que é imigrante ilegal, gente que só procura ter seus papéis na lei, já que a única coisa que querem é trabalhar".
A nova cidadã americana contou que a possibilidade de ganhar mais em sua atividade foi um dos motivos pelos quais emigrou para os Estados Unidos, já que, como secretária bilíngüe em seu país, tinha que juntar o salário de duas semanas para poder comprar um par de tênis de marca.
Casada com um cidadão americano, Janet Cortés disse estar muito perto de concretizar o tão desejado "sonho americano", de se tornar assistente de um médico e de começar seus estudos como técnica em radiologia. "Temos que pensar em nossas famílias. Estão sendo aprovadas leis (nos EUA) que tornarão mais difícil a vida dos imigrantes, não só dos ilegais, mas também daqueles que são residentes legais", destacou.
Outro que não conseguia esconder seu nervosismo antes da cerimônia era Sergio López, que chegou aos EUA quando tinha apenas 3 anos, junto com seus pais, provenientes do estado mexicano de Michoacán. López, de 18 anos e soldado da Força Aérea americana, disse que um de seus maiores sonhos era se tornar cidadão do país que o acolheu. "Estou servindo no país que me viu crescer e acho que agora posso dizer, com orgulho, que também sou um cidadão desta terra maravilhosa", declarou.

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