"Não podemos permitir que o problema continue se agravando. O Congresso tem a responsabilidade de atuar este ano", sentenciou Chertoff, durante um discurso no "American Enterprise Institute", um centro de estudos políticos de caráter neoconservador.
No entanto, as advertências de Chertoff sobre uma reforma migratória "integral" não foram mantidas no Congresso, onde os republicanos deixaram clara sua oposição a qualquer plano de legalização de imigrantes ilegais no país.
O problema da imigração ilegal "é um desafio que enfrentamos há várias décadas, não é um problema novo", declarou Chertoff. Só que agora o número de imigrantes ilegais nos Estados Unidos aumentou significativamente, e a imigração ilegal trouxe consigo violência na fronteira, criminosos, maiores pressões nos serviços sociais e a possibilidade de atos terroristas, explicou Chertoff.
A visita de Chertoff ao centro de estudos faz parte de uma ofensiva política que a Casa Branca empreendeu para convencer os céticos no Congresso sobre os benefícios do plano de reforma migratória do presidente George W. Bush.
O Governo Bush quer que o Congresso aprove uma solução "integral" à presença dos imigrantes ilegais e a erros na vigilância das fronteiras, mas "todas as peças têm que encaixar juntas", declarou. O plano de Bush tem como objetivo fortalecer a segurança fronteiriça, fazer com que as leis migratórias sejam cumpridas no interior do país, punir quem contratar imigrantes ilegais, criar um programa de trabalhadores temporários e uma via para a legalização de boa parte dos imigrantes ilegais.
A versão da reforma migratória aprovada pelo Senado inclui praticamente todos os elementos que a Casa Branca deseja, enquanto a da Câmara de Representantes foca na segurança da fronteira e não inclui nenhum tipo de alívio migratório para "tirar da sombra" os imigrantes ilegais. Para se tornar lei, as duas versões têm que ser harmonizadas em um só anteprojeto durante um processo bicameral que, por enquanto, não começou devido a um embate entre os partidos.
O titular do Departamento de Segurança Nacional (DHS, em inglês) - criado após os ataques terroristas de 2001 - disse que nenhuma reforma migratória seria completa sem o reconhecimento do fator "da oferta e da demanda" dos imigrantes ilegais. A economia americana serve de ímã para a mão-de-obra barata que vem com os imigrantes ilegais com pouca capacitação, que são contratados em setores como construção, hotelaria e outros serviços.
Segundo Chertoff, um programa de trabalhadores temporários não é uma "anistia", mas uma "ferramenta" chave na luta contra a imigração ilegal, porque a contratação pela via legal permitiria que as autoridades focassem esforços em muitos criminosos na fronteira.
Acrescentou que o reforço das leis agora será sério, e que prova disso são as operações nos locais de trabalho e as punições às empresas que contratarem imigrantes ilegais.
Com a "Operação Jumpstart", o deslocamento gradual de até seis mil membros da Guarda Nacional na fronteira sul - haverá 2.500 até o final do mês - está ajudando a Patrulha Fronteiriça na detecção de imigrantes ilegais com o uso de alta tecnologia, indicou Chertoff.
No entanto, a urgência do Governo se chocou com a oposição dos legisladores que, visando às eleições de novembro, querem passar uma imagem de linha dura contra a imigração ilegal.
Em entrevista coletiva, o líder da maioria republicana na Câmara de Representantes (Baixa), John Boehner, assegurou hoje que nos últimos dias "tanto republicanos como democratas" começaram a se inclinar por um projeto que fortaleça a segurança fronteiriça.

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