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Depois de terremoto, vulcão ameaça Indonésia

29 de maio de 2006 08h16 atualizado às 08h49

Vulcão Merapi expele lava na Ilha de Java. Foto: Reuters

Vulcão Merapi expele lava na Ilha de Java
Foto: Reuters

Depois do terremoto que já faz mais de cinco mil vítimas na Indonésia, a preocupação agora é com Monte Merapi, um vulcão localizado no centro da ilha de Java.

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Desde de sexta-feira, quando o país foi atingido por um forte tremor de terra, o Monte Merapi voltou a apresentar intensa atividade. Moradores de Kali Boyong, vila próxima do local, que estão voltando para casa, encontraram o vulcão expelindo lava. O estado na ilha é de emergência.

Segundo especialistas, o terremoto que matou mais de 5.000 pessoas na ilha indonésia de Java tem ligação com o tremor que detonou o violento tsunami de 2004 e pode ser sinal da iminente erupção do Monte Merapi.

A Indonésia fica no chamado "círculo do fogo", uma área de grande atividade tectônica e vulcânica, e foi o país mais atingido pelo tsunami de dezembro de 2004, que deixou mais de 230 mil mortos ou desaparecidos.

Edward Bryant, cientista especializado em desastres naturais, disse que o tremor responsável pelo tsunami, o abalo sísmico de sábado e a atividade do monte Merapi têm relação entre si.

"O Merapi é provavelmente uma consequência do terremoto de 18 meses atrás", afirmou Edward Bryant, da Universidade de Wollongong (Austrália).

Mas o professor Richard Arculus, da Universidade Nacional Australiana, disse não haver provas claras de que a atividade do Merapi havia causado o terremoto de sábado.

"Quanto maior for o intervalo entre qualquer erupção grande do Merapi e o terremoto recente, mais difícil será apresentar provas de que haja uma ligação entre eles", afirmou.

O Merapi é apenas um dos vários vulcões que ficam sobre a placa tectônica Indo-Australiana, mas, historicamente, tem se mostrado um dos mais ativos de Java.

Localizado cerca de 30 quilômetros ao norte de Yogyakarta e a cerca de 50 quilômetros do epicentro do terremoto de sábado, o Merapi tremeu por várias semanas antes de liberar nuvens de gás quente em 15 de maio, provocando uma chuva de cinzas na região ao seu redor.

Bryant descreveu o terremoto de sábado, de magnitude 6,3, como um provável precursor de uma erupção e disse que, geralmente, há uma relação entre terremotos médios e grandes e erupções vulcânicas subsequentes quando os vulcões estão sobre falhas tectônicas ou no limite de placas tectônicas.

"Se esse vulcão estiver ativo, e ele está, ele pode gerar terremotos ao redor dele quando o magma ou a lava vier para a superfície", disse Bryant.

"Ele empurra e desloca a superfície da terra um pouco e, se houver falhas sujeitas a terremotos, então haverá terremotos", afirmou.

Segundo o pesquisador, se outros terremotos acontecerem na região, aumentará a possibilidade de haver uma grande erupção, possivelmente dentro de seis meses.

"Isso indicaria que o magma está se deslocando para cima do vulcão, ou em direção à superfície, e então isso seria mais preocupante", disse.

O pesquisador acredita que uma grande erupção do Merapi seria capaz de produzir gás e cinzas suficientes para atingir a Austrália, bem como para ter um efeito de resfriamento sobre o clima da Terra.

"Acho que há grandes chances de isso acontecer, há mais chances de isso acontecer do que de não acontecer", disse.

"Se eu fosse uma das autoridades da Indonésia, não me limitaria a ficar dizendo às pessoas que nada aconteceu. Se eu morasse perto do vulcão, eu me mudaria".

No entanto, segundo Bryant, a atividade do vulcão pode simplesmente cessar. Arculus afirmou não ser fácil identificar as ligações entre os terremotos e as atividades vulcânicas, acrescentando não acreditar que a atividade do Merapi tivesse detonado o terremoto de sábado.

Redação Terra