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Noruega: Breivik acusa psiquiatras de inventarem esquizofrenia

25 abr 2012
09h31
atualizado às 11h02

Anders Behring Breivik, que admitiu ser culpado pela morte de 77 pessoas em dois ataques no ano passado na Noruega, acusou nesta quarta-feira os especialistas psiquiátricos de inventar coisas com o objetivo de fazê-lo passar por demente.

Confira a linha do tempo dos atentados na Noruega

"São invenções mal intencionadas", declarou Breivik ao comentar avaliações psiquiátricas divulgadas no ano passado sobre sua condição psicótica. "Talvez não seja algo mal intencionado, mas certamente é falso", acrescentou.

Nomeados pelo tribunal de Oslo para examinar a saúde mental do réu, os psiquiatras Synne Soerheim e Torgeir Husby concluíram, em novembro passado, que Breivik sofre de "esquizofrenia paranoide". "80% do conteúdo das entrevistas (mantidas pelos psiquiatras) foram inventados", enfatizou o extremista de direita de 33 anos.

Segundo ele, os dois especialistas fizeram um trabalho precipitado. "Tive a impressão que chegaram a uma conclusão rápido demais. E quando lemos o relatório inteiro, vemos que eles trabalharam para fundamentar essa conclusão", disse Breivik. "Eles estavam emocionalmente influenciados (pelos ataques de 22 de julho de 2011) e não tinham competência para avaliar um autor de violência políticas", explicou. "Se eu tivesse lido a descrição da pessoa descrita (no relatório médico), eu teria concordado: esta pessoa é um caso psiquiátrico. Mas a pessoa descrita neste relatório não sou eu."

Breivik também negou ter dito que tem o direito de afirmar quem merece viver e morrer na Noruega, porque ele é apenas um "soldado raso", mas admitiu que os militantes nacionalistas como ele tem o direito de atacar "objetivos legítimos", como a elite que "trabalha pelo multiculturalismo" e que representa 2% da população.

"Tentei ser tão aberto quanto foi possível. Contava que fossem fazer um trabalho objetivo e que não estivessem tão emocionalmente unidos o ocorrido (os atentados)", explicou, segundo a transcrição de seu relato pela imprensa norueguesa, já que por ordem do tribunal seu comparecimento não foi retransmitido.

O extremista norueguês já tinha feito referências a seu estado mental durante seu depoimento, ressaltando que não é um caso psiquiátrico, e por isso deve de ser declarado penalmente responsável pelos atentados. Esse é o diagnóstico do segundo relatório psiquiátrico feito por outra equipe de especialistas, e que está pendente de aprovação pela Comissão de Medicina Legista.

Oficial remove as algemas de Anders Behring Breivik em mais uma sessão de julgamento, na corte de Oslo, na Noruega
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Foto: AP
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