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Nepaleses sacrificam milhares de animais em sinal de devoção

8 out 2011
10h00
atualizado às 10h44

Os nepaleses começaram nesta semana a sacrificar milhares de animais do sexo masculino, provavelmente férteis, em sinal de devoção à deusa Parvati, que, como oferenda, exige exemplares machos e com capacidade de procriação.

Os sacrifícios fazem parte do Festival de Dashain, que dura 15 dias, no qual os peregrinos lotam os templos em homenagem a Kali e Durga, encarnações de Parvati, esposa de um dos deuses mais poderosos do panteão hindu, Shiva.

Os sacrifícios mais comuns são de bodes e galos, mas também há de patos e de búfalos, para os devotos que estão acostumados a comer carne. A particularidade é que, em todos os casos, têm de ser animais do sexo masculino e, preferivelmente, férteis.

"As escrituras descrevem claramente que os animais devem ser imolados", explica à agência Efe o especialista em religião hindu Baidyanath Sharma, referindo-se à crença popular de que Parvati só aceita sacrifícios de machos. "Acredita-se que os sacrifícios proporcionam a energia que necessitamos para qualquer atividade".

O ritual é muito enraizado no Nepal, cujo antigo palácio real foi palco nesta semana de três oferendas maciças de 54 bodes e 54 búfalos. O número 54 se baseia em uma constante numérica: os dígitos cinco e quatro somam nove, o número mais alto, e do mesmo modo compõem a soma 108 (54+54), que também dá nove, somados seus números entre si (1+0+8).

Ninguém que não seja sacerdote tem autorização de ver a oferenda, fruto de uma tradição iniciada pela dinastia Malla - que governou o país entre os séculos 14 e 18 - e que continuou depois da proclamação da República, em 2008.

Os sacrifícios contrastam com a tradição vegetariana do hinduísmo, religião majoritária no subcontinente indiano e que se baseia na reencarnação, cuja crença considera que a alma de uma pessoa pode renascer como um animal.

Mas nessas datas o Nepal se torna exceção à regra geral, já que durante a festividade os devotos do país costumam levar para casa o animal sacrificado para comer sua carne, depois de borrifarem com seu sangue a estátua da deusa.

Os brâmanes, a casta sacerdotal, também não rejeitam a carne. Segundo as escrituras hindus, os brâmanes podem chegar a perder seu status privilegiado se a comerem, exceto se a apresentarem previamente à deusa como oferenda.

Além das crenças religiosas, a prática despertou nos últimos anos protestos de grupos ambientalistas. Na semana passada, por exemplo, um ativista se fantasiou de Kali e recebeu oferendas de abóboras e frutas, mas os adeptos dos sacrifícios não se dão por convencidos. "As pessoas que criticam os sacrifícios não deixam de comer carne depois", criticou Sharma.

EFE   
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