|
O processo de beatificação de João Paulo II começa amanhã, 28 de junho, na Basílica de São João de Letrão, de Roma, três meses depois de sua morte, sem esperar os cinco anos a partir de seu falecimento, como estabelece o Código de Direito Canônico. A cerimônia começará às 19h hora local (14h de Brasília) na catedral de Roma e será presidida pelo cardeal vigário, Camillo Ruini. Roma é a cidade de que João Paulo II foi bispo e em que morreu em 2 de abril aos 84 anos, por isso o processo começará lá.
Depois da reza das primeiras vésperas da festividade de São Pedro e São Paulo, patrões de Roma, celebrada no dia seguinte, o primeiro ato do processo de beatificação será o juramento em latim do cardeal Ruini, dos juízes do tribunal e dos notários. Depois, quem propôs a causa, o monsenhor polonês Slawomir Oder, apresentará a Ruini e aos juízes do tribunal diocesano criado os papéis que o acreditam como tal e os documentos recolhidos já sobre a figura de Karol Wojtyla, assim como a lista das pessoas que devem ser interrogadas. A sessão será encerrada com as indicações sobre quando a primeira audiência, a portas fechadas, será realizada. O cardeal Ruini pronunciará um discurso e antes de deixar o templo todos os presentes pedirão graças "pela intercessão do Servo de Deus, o papa João Paulo II". De acordo com informações do Vicariato de Roma hoje, todos os dias chegam uma média de cem cartas procedentes de todo o mundo em que são expressadas graças recebidas com a ajuda de Karol Wojtyla. A maior parte das mensagens é procedente da América Latina e está escrita em espanhol. O segundo maior número de mensagens é da Itália e depois da Polônia. A primeira parte do processo contempla o recebimento da vasta documentação e a pesquisa sobre sua vida e virtudes, ouvindo os testemunhos de quem o conheceu. João Paulo II entre discursos e documentos escreveu mais de 100 mil páginas. A essas é preciso acrescentar o que foi escrito até ser eleito papa, além de livros e anotações. Espera-se uma beatificação rápida, mas vaticanistas lembram que foram necessários 35 anos para que o processo de João XXIII fosse concretizado. Em 13 de maio, Bento XVI anunciou o início do processo de beatificação de Wojtyla. Foi uma surpresa. Embora o Código de Direito Canônico estabeleça que para abrir o processo de beatificação de uma pessoa é preciso que tenham passado cinco anos desde sua morte, o papa tem o poder de encurtar esse prazo. O anúncio foi recebido com grande alegria no mundo católico e, segundo o cardeal de Milão, Dionigi Tettamanzi, era a resposta a um pedido popular. Isso porque continua vivo na memória o grito "súbito santo" ("santo já") que milhares de pessoas disseram repetidamente em 7 de abril na praça de São Pedro durante os funerais.
O fato de Bento XVI fazer o anúncio em 13 de maio foi considerado em ambientes vaticanos como o reconhecimento do profundo vínculo que unia João Paulo II à Virgem de Fátima. O caminho para a santidade tem três degraus: venerável servo de Deus, beato e santo. "Venerável Servo de Deus" é o título dado a uma pessoa morta que viveu as virtudes de maneira heróica. Para que possa ser beatificada é necessário que tenha acontecido um milagre com sua ajuda e para que seja santificado é necessário um segundo milagre, que deve ser realizado depois de ser beatificado.
|