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O processo de beatificação do papa João Paulo II será aberto oficialmente no próximo dia 28 de junho, anunciou hoje o cardeal vigário de Roma, Camillo Ruini.
"Vou dar-lhes uma notícia que trará grande alegria: no próximo dia 28 de junho, às sete da tarde (14h de Brasília), na Basílica de São João de Latrão, abriremos oficialmente a causa de beatificação e canonização de nosso amado bispo e papa João Paulo II", disse Ruini, durante o encerramento do congresso diocesano "Família e comunidade cristã", que aconteceu na catedral de Roma.
Ruini, que foi vigário de Roma no pontificado de João Paulo II, disse que a abertura do processo é, para todos os católicos, "um presente e um extraordinário motivo para agradecer a Deus".
Em 13 de maio passado, Bento XVI anunciou que "em um curto prazo de tempo" começaria o processo para levar João Paulo II à glória dos altares, sem a necessidade de esperar cinco anos após sua morte, como determina o Código de Direito Canônico.
Bento XVI fez o anúncio no dia em que são completados 24 anos do atentado contra o papa polonês. O ataque contra João Paulo II foi realizado pelo turco Ali Agca, na praça de São Pedro, durante a festividade da Virgem de Fátima, que, segundo o falecido papa, "desviou a bala" disparada por Agca e salvou sua vida.
O anúncio foi recebido com grande alegria no mundo católico. Segundo o cardeal de Milão, Dionigi Tettamanzi, a beatificação do antigo papa era a resposta a um grande clamor popular. Ainda está viva na memória a frase "súbito santo" ("santo já"), gritada repetidamente por dezenas de milhares de pessoas em 7 de abril passado, na praça de São Pedro, durante o funeral de João Paulo II, morto em 2 de abril, aos 84 anos. O pedido foi acompanhado por cartazes com as mesmas palavras, frase que desde então é repetida cada vez que se fala de João Paulo II "O Grande", como já foi batizado. O fato de Bento XVI ter feito o anúncio em 13 de maio foi considerado nos meios vaticanos um reconhecimento do profundo vínculo que unia João Paulo II à Virgem de Fátima. "Devo minha vida unicamente à Virgem de Fátima. Uma mão atirou e outra guiou a bala", disse João Paulo II, afirmando que sua salvação foi uma intervenção da Virgem. O Código de Direito Canônico determina que o processo de beatificação de uma pessoa só pode ser aberto depois de cinco anos da sua morte, mas o papa tem o poder de encurtar esse prazo. Isso foi feito pelo próprio João Paulo II no caso da Madre Teresa de Calcutá, que morreu em 1997 e cujo processo de beatificação começou dois anos depois, terminando em 2003. O processo começará na diocese de Roma, da qual era bispo. No início, contempla a coleta de toda documentação sobre João Paulo II, que é extensa, assim como a investigação sobre sua vida e virtudes, recolhendo depoimentos dos que o conheceram. Entre discursos e documentos, João Paulo II escreveu mais de cem mil páginas, que precisam ser acrescidas do que escreveu na juventude e até ter sido eleito papa, além de livros, anotações, etc. Embora as expectativas sejam de um prazo curto, especialistas vaticanos lembraram que foi preciso 35 anos para a beatificação de João XXIII, o "papa bom". O caminho para a santidade tem três degraus. O primeiro é venerável servo de Deus, o segundo beato e o terceiro santo. "Venerável Servo de Deus" é o título dado a uma pessoa morta sobre a qual se reconhece ter vivido as virtudes de forma heróica. Para que um venerável possa ser beatificado é necessário que tenha acontecido um milagre por sua intercessão, e para que possa ser canonizado (santo) é necessário um segundo milagre, que deve ter acontecido após a proclamação como beato.
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