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João Paulo II
Sexta, 29 de abril de 2005, 10h52  Atualizada às 13h38
Padre dominicano nega ter espionado João Paulo II
 
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O sacerdote dominicano Stanislaw Hejmo, acusado de ter espionado João Paulo II no final da década de 70 e princípios da década de 80, disse a meios de comunicação italianos que nunca trabalhou para serviços secretos comunistas, embora tenha admitido que nesta época "pecou de ingênuo".

Em declarações aos principais jornais italianos, o religioso polonês, de 69 anos, nega as revelações realizadas nesta semana pelo presidente do Instituto polonês da Memória Nacional, Leon Kieres, que afirmou que o padre Hejmo colaborou com a polícia secreta comunista.

"Nunca fui um agente; podem me chamar de tolo ou ingênuo, mas espião não", afirma o sacerdote, muito conhecido no Vaticano, pois se dedicava a levar peregrinos poloneses às audiências de João Paulo II.

Segundo o responsável pelo Instituto da Memória Nacional, existem documentos relativos à vigilância da Igreja católica por parte dos serviços secretos comunistas que mostram que o sacerdote, sob os pseudônimos "Hejnal" e "Dominik", deu informações aos comunistas durante mais de dez anos.

Na versão de Hejmo à imprensa italiana, o padre explica que chegou ao Vaticano em 1979 para estudar no Angelicum (centro de estudos católicos) e reunir, a pedido do primaz da Polônia, Stefan Wyszynski, informações sobre a Igreja e o pontificado que apareciam nos meios de comunicação.

Hejmo reconhece que no começo dos anos 80 sabia que era controlado pelo governo de Varsóvia, como outros sacerdotes desta nacionalidade que estavam no Vaticano e inclusive o próprio João Paulo II.

"Falei com o Santo Padre uma vez. Estávamos almoçando juntos com outros sacerdotes e todos diziam ter um 'anjo da guarda', ou seja, controladores do governo polonês. E o Pontífice também sabia que era espionado", afirma o padre Hejmo.

O sacerdote afirma que a origem do atual escândalo pode estar na sua relação com uma pessoa que identifica como Andrej (já falecida), que conheceu por intermédio de outros padres poloneses.

"Ele dizia que fazia o mesmo trabalho que eu, mas para os bispos alemães. Relacionei-me com ele somente em 80 e depois compreendi que era um espião", afirma, antes de se mostrar convencido de que Andrej pertencia à "Stasi", a polícia secreta da antiga Alemanha Oriental.

Durante sua estada no Vaticano, Andrej participava de conversas e debates com o padre Hejmo e outros sacerdotes, e em algumas ocasiões as gravava, afirma o dominicano.

Por isso, Hejmo admite que pode ter sido "manipulado" e constituir uma fonte de informação "involuntária" para os serviços secretos, mas afirma que Andrej só recebeu dele "notícias da doutrina".

Hejmo também acredita que os documentos do instituto polonês envolvem outros religiosos em casos similares, já que o próprio Andrej procurava outros sacerdotes para pedir informações a eles, afirma.

As acusações contra o padre dominicano foram recebidas com surpresa e ceticismo em círculos vaticanos e deram origem ao escândalo na Polônia, onde Hejmo se tornou muito popular porque foi um dos sacerdotes mais procurados pelos meios de comunicação poloneses na ocasião da morte do papa.

A notícia foi divulgada na quarta-feira passada, quando o religioso esteve prestes a abandonar o Vaticano e voltar à Polônia.

Hejmo não tomou esta atitude porque outros religiosos poloneses o aconselharam a enfrentar as acusações na Santa Sé, que por enquanto não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
 

EFE

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