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João Paulo II
Quarta, 27 de abril de 2005, 15h34  Atualizada às 15h43
Padre polonês é acusado de espionar João Paulo II
 
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A agência estatal que cuida dos arquivos da época do comunismo na Polônia acusou hoje um padre polonês de espionar o papa João Paulo II no Vaticano para o serviço secreto da Polônia.

O padre Konrad Hejmo deu informações sobre João Paulo II, que também era polonês, nos anos 1980, quando os governantes comunistas do país combatiam o movimento Solidariedade, afirmou o Instituto da Memória Nacional (IPN) numa entrevista coletiva.

Hejmo não havia sido encontrado imediatamente para comentar a notícia, mas a TV pública polonesa afirmou que o padre nega as acusações. O Vaticano também se recusou a fazer comentários sobre a informação.

Os poloneses, ainda em luto pela morte de João Paulo II, no dia 2 de abril, consideram-no um dos inspiradores da luta do Solidariedade contra o comunismo.

"O instituto tem documentos que mostram que o padre Konrad Stanislaw Hejmo estava cooperando, nos anos 1980, com os serviços de segurança", afirmou Leon Kieres, diretor do instituto.

O padre comandou por anos a "Casa de Peregrinação" polonesa, um albergue para poloneses que iam ao Vaticano. Ele também foi importante fonte da mídia polonesa por seu conhecimento sobre os problemas de saúde do papa.

O IPN não esclareceu o tipo de informação dada pelo padre, mas Marek Lasota, um integrante do IPN que trabalha no envolvimento do serviço secreto com a Igreja polonesa, disse que Hejmo não deve ter repassado muitos dados importantes.

"Hejmo não tinha acesso muito íntimo. Ele era tão próximo (ao papa João Paulo II) quanto outros padres poloneses no Vaticano. Acho que é mais provável que ele tenha repassado informações de segunda mão", afirmou.

Em sua pesquisa, Lasota descobriu que o serviço secreto tentou desacreditar o papa na década de 1980 fazendo surgir diários falsos de uma mulher que alegava ter tido um romance com João Paulo II.

O pontífice, que já apoiava os ativistas pró-democracia quando era arcebispo de Cracóvia, continuou ajudando no combate ao comunismo ao se transformar em papa, em 1978. Ele se reuniu várias vezes com o líder do Solidariedade, Lech Walesa, em suas viagens à Polônia.
 

Reuters

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