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João Paulo II
Sexta, 8 de abril de 2005, 20h29  Atualizada às 21h36
Lula no Vaticano: 'sou um homem sem pecados'
 
Agência Brasil
Lula se encontrou com o ex-presidente e embaixador Itamar Franco na chegadada a Roma
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Depois de acompanhar o funeral do papa João Paulo II, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve, novamente, de explicar suas convicções religiosas. Falando a jornalistas nesta sexta-feira, na embaixada do Brasil em Roma, Lula usou de bom humor ao ser questionado se aproveitou a cerimônia no Vaticano para confessar seus pecados e comungar.

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"Não precisa, eu sou um homem sem pecados", disse, sorrindo. E completou, afirmando que não sabe "o que é ser um bom católico". "Acima de tudo, temos de ser bons seres humanos", salientou.

Na semana do velório do Pontífice, muitas atenções se voltaram ao Brasil, que tem a maior população católica do mundo e abriga um dos fortes candidatos à sucessão de João Paulo II - o arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, que é amigo do presidente desde quando ele era sindicalista no ABC paulista.

Porém nem todos na Igreja acreditam nas convicções religiosas do presidente. Na última terça-feira, ao chegar em Roma para acompanhar os funerais, o cardeal dom Eusébio Oscar Scheid disse que Lula "não se entende muito bem" com o Espírito Santo.

"Não, não mistura o Lula nessa história ainda não. Aí confunde tudo, porque ele com o Espírito Santo não se entende muito bem", disse. A parte mais conservadora da Igreja Católica não aceita muito bem o presidente, que foi operário e está ligado à ala mais progressista da Santa Sé, que lançou a Teologia da Libertação e foi duramente reprimida durante o pontificado de João Paulo II.

As declarações de dom Eusébio Scheid fizeram o presidente reafirmar, em diversas oportunidades, sua fé cristã. Nesta sexta, ele novamente destacou as virtudes do Papa.

"A humanidade assistiu hoje à consagração de toda a pregação histórica do Papa. Não conheço outro momento da história em que a reperesentatividade política e religiosa esteve tão presente", ressaltou o presidente.

Fora do terreno religioso, outra saia justa enfrentada por Lula se deu no campo político. Na mesma entrevista, ele falou sobre a composição aparentemente inusitada de sua comitiva em Roma, que incluiu desafetos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, antecessor de Lula e crítico feroz do atual governo.

Sobre FHC, Lula usou o futebol para descrever as diferenças que o separam do ex-presidente. "Diferenças entre políticos têm de ser vistas com certa naturalidade. Em jogo de futebol, como é o caso do enfrentamento entre Real Madrid e Barcelona, os Ronaldinhos vão estar em times diferentes. Apesar de amigos e íntimos, cada um vai querer ganhar, marcar gols. Na política também existe essa diferença, principalmente em período eleitoral", afirmou.

Lula disse ainda que entre ele e Fernando Henrique "há mais momentos de confluência que de disputa". Mas não deixou de dar uma alfinetada, ao lembrar que foi amigo de FHC inclusive quando ele "foi eleito suplente de senador". Lula é franco favorito à reeleição em 2006, quando enfrentará novamente o PSDB, partido do ex-presidente.

Mencionando a reunião inusitada com alguns de seus adversários políticos, Lula tratou de lembrar que quatro ex-presidentes brasileiros tiveram a oportunidade de se reunir devido à morte de João Paulo II.

O fato mais inusitado, que vocês não puderam ver, foi ver o Itamar, o FHC, o Sarney e eu, no final da cerimônia", afirmou Lula. Nem o fotógrafo oficial da Presidência da República registrou o momento. Só o fotógrafo do presidente francês, Jacques Chirac, registrou. "Penso que é uma coisa que pode se repetir", disse Lula, referindo-se ao encontro.

Participaram da comitiva presidencial os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e José Sarney, os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Severino Cavalcanti, bem como o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, entre outros. O ex-presidente Itamar Franco já estava em Roma, pois é embaixador do Brasil na Itália.

Antes da entrevista, o presidente Lula manteve encontros com o presidente da Assembléia Nacional de Cuba, Ricardo Alarcón, e com os presidentes da Áustria, Heinz Fisher, e de Moçambique, Emílio Guebuza.

À noite, Lula e a primeira-dama, Marisa, participaram de jantar privado com a comitiva, na residência da Embaixada do Brasil na Santa Sé. O presidente Fernando Henrique Cardoso não participou, pois deixou Roma às 18h (locais). Neste sábado, Lula e a primeira-dama irão à cidade de Assis, a cerca de duas horas de Roma, e depois almoçarão na casa de governo da Úmbria, em Peruggia. Não há compromissos oficiais agendados para o resto do dia.

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Redação Terra