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Quinta, 7 de abril de 2005, 23h39 
Fidel minimiza peso do Papa na queda do comunismo
 
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Poucas horas antes da cerimônia fúnebre de João Paulo II, o presidente cubano, Fidel Castro, negou nesta quinta-feira que o Papa tenha sido o artífice da queda do comunismo no Leste europeu, como se costuma dizer.

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"Sim, é certo que o Papa foi muito crítico" com o socialismo, mas "quando a União Soviética e o campo socialista desapareceram, o Papa se tornou muito crítico do sistema capitalista", declarou Castro em um longo discurso transmitido ao vivo por rádio e TV.

O governante cubano afirmou que não se podia apontar João Paulo II como o responsável individual pela queda do bloco soviético no início da década de 90, e destacou que isso resultou de erros estratégicos e de condução da liderança comunista da época.

"Se um dia o socialismo cubano cair, a culpa não será de ninguém além de nós mesmos", afirmou Fidel, 78 anos, sendo 46 no poder, ao apoiar sua tese.

O comandante lembrou da histórica visita de João Paulo II a Cuba em janeiro de 1998, quando existiam muitas reservas entre os dirigentes da ilha, pois se dizia que "o Papa tinha desempenhado um papel político negativo (...) que foi um instrumento do anti-socialismo e anticomunismo".

Seus inimigos, dentro e fora de Cuba, também viram essa visita como o fim da revolução. "Achavam que a revolução cairia como caiu a cidade de Jericó", ressaltou.

"Mas o Papa não trazia a intenção de derrubar a revolução", frisou o líder cubano, admitindo que nessas circunstâncias "ninguém imagine que era uma visita fácil, era complicada".

Cuba reagiu de imediato à morte do Papa no sábado passado, expressando sua dor pelo falecimento de um "amigo".

O Conselho de Estado, presidido por Castro, decretou três dias de luto oficial e o próprio presidente cubano assistiu a uma missa de réquiem na Catedral de Havana, em homenagem póstuma a quem chamou de "seu inesquecível amigo".

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AFP

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