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Ministra da Justiça israelense vai a Washington tratar proposta árabe de paz

2 mai 2013
13h22
atualizado às 13h47

A ministra da Justiça e encarregada das negociações com os palestinos no governo israelense, Tzipi Livni, viajou nesta quinta-feira a Washington para abordar com o secretário de Estado americano, John Kerry, a última proposta de paz da Liga Árabe, informaram nesta quinta-feira os meios de imprensa israelenses.

Livni foi aos Estados Unidos junto a Isaac Molho, enviado especial do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para as conversas com os palestinos.

Ambos os representantes israelenses permanecerão só algumas horas na capital americana e concentrarão seus contatos nos esforços de Kerry para retomar o processo de paz, segundo o jornal "Ha'aretz".

Livni se reuniu ontem com Netanyahu para coordenar a mensagem que enviará ao secretário de Estado, indicou ao jornal um alto oficial israelense.

Depois de se reunir com Kerry, o responsável israelense de negociações irá a Nova York, onde se reunirá com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

A Liga Árabe apresentou na segunda-feira passada ao chefe da diplomacia dos Estados Unidos uma nova versão de seu plano de paz que contempla pequenas mudanças nas fronteiras de 1967 em forma de "mínimos" intercâmbios de territórios do mesmo tamanho entre Israel e os palestinos, o que se aproxima à proposta de dois Estados realizada pelo presidente americano, Barack Obama.

Essa divisória é a que existe na zona antes da Guerra dos Seis Dias, e que a comunidade internacional e as resoluções da ONU consideram base fundamental para um futuro acordo e a criação de um Estado palestino.

Livni e Molho tentarão convencer Kerry em Washington sobre a nova proposta árabe enquanto lhe expressarão as reservas de Israel sobre a mesma, segundo o oficial israelense.

Fontes do governo israelense, citadas pelo "Ha'aretz", assinalaram que Netanyahu e seus assessores temem que Kerry aceite a definição de fronteiras da Liga Árabe e o princípio de troca de territórios.

As mesmas fontes disseram que o governo israelense vê a declaração árabe como um armadilha que poderia determinar termos de negociação desfavoráveis para Israel.

Nos últimos anos os palestinos se mostraram dispostos a intercambiar territórios equivalentes a um 1,9% da superfície da Cisjordânia.

Tanto Livni como o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert - um dos que mais avançou nas negociações com os palestinos - propuseram uma troca de entre 6% e 10% do território cisjordaniano, o que permitiria a Israel conservar um número muito maior de assentamentos.

A posição de Obama, que expressou em seu discurso no Cairo em maio de 2011, defende que as fronteiras do Estado palestino devem ser baseadas nas de 1967, incluindo trocas de territórios, embora não tenha mencionado em que porcentagem.

Dias depois detalhou, no entanto, que as fronteiras deviam levar em conta as mudanças acontecidos desde 1967, em referência aos blocos de assentamentos israelenses.

EFE   
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