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18 de março de 2010 • 10h52 • atualizado às 11h57

Libertado o francês Lefèvre, refém há cinco meses em Darfur

O funcionário da Cruz Vermelha Gauthier Lefèvre abraça colegas após ser libertado, no aeroporto de Cartum, no Sudão
Foto: AFP
 

Um funcionário franco-britânico da Cruz Vermelha (CICR), Gauthier Lefèvre, foi libertado nesta quinta-feira, após ter sido mantido cinco meses como refém em Darfur - o tempo mais longo de captura, desde o início do conflito nesta região do oeste do Sudão, em 2003.

"Estou extremamente aliviado. Quero agradecer a todos os envolvidos na minha libertação, declarou ao chegar ao aeroporto de Cartum, recebido por dez colegas emocionados.

Gauthier Lefèvre, 35 anos, que trabalha para a CICV há cinco anos - incluindo 15 meses em Darfur -, circulava num veículo com as cores da Cruz Vermelha quando foi capturado, no dia 22 de outubro, por homens armados no oeste de Darfur, perto da fronteira com o Chade.

Trata-se da mais longa detenção (147 dias) desde o início de uma onda de sequestros de trabalhadores voluntários em Darfur, que começou em março de 2009, em protesto contra o mandado de detenção emitido pela Corte Penal Internacional (CPI) contra o presidente do Sudão Omar el-Béchir.

Seis trabalhadores voluntários franceses foram capturados desde março de 2009 numa região que forma um triângulo entre o Darfur sudanês, o leste do Chade e a República Centro Africana. Os sequestros foram assumidos por um grupo de Darfur chamado "Águias da Libertação da África", que apresenta reivindicações políticas, mas que serve a bandidos, segundo fontes humanitárias.

Os captores de Gauthier Lefèvre haviam exigido o pagamento de resgate. "A CICV não pagou", declarou à AFP Saleh Dabbakeh, porta-voz da organização no Sudão.

A libertação de Gauthier Lefèvre acontece quatro dias após a de outros dois trabalhadores voluntários franceses da ONG Triangle GH capturados pelas "Águias da Libertação da África" em novembro, no leste da República Centro-Africana, perto da fronteira com Darfur.

A guerra civil em Darfur fez cerca de 300 mil mortes desde 2003, segundo as estimativas da ONU, ou 10 mil mortos, segundo Cartum, e mais de 2,7 milhões de pessoas deslocadas.

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