"É uma posição muito mais agressiva", afirma o general da reserva Talat Masood, ex-secretário de Estado da produção militar, em relação à criação por Nova Délhi no início deste mês de uma nova estrutura de comando nuclear e de uma revisão de sua política nuclear. No dia 4 de janeiro, Nova Délhi anunciou a criação de uma Autoridade de Comando Nuclear encarregada de administrar o arsenal nuclear e que compreende um conselho político, presidido pelo primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee, e um conselho executivo, dirigido pelo conselheiro em Segurança Nacional, Brajesh Mishra.
O Governo indiano também confirmou sua doutrina de "não atacar primeiro" com a arma nuclear, mas se reservando o direito de represálias nucleares em caso de ataque atômico, químico ou biológico. "Isto é muito novo", afirmou o general Massod, acrescentando que "apresenta potencialmente o perigo de desencadear uma nova corrida armamentista com o Paquistão e a China". A doutrina nuclear indiana, anunciada oficialmente em agosto de 1999 e que afirma que a Índia não será a primeira a lançar um ataque nuclear, é agora "mais ambígua", de acordo com o general Masood.
Para o professor de física nuclear da universidade Quaid-e-Azam, de Islamabad, Pervez Hoodbhoy, esta mudança de política e os esforços da Índia para adquirir novas armas na Rússia aumentam os riscos de um confronto. "Há, sem dúvida, uma escalada", afirmou, por sua parte, o militante pró-desarmamento Adul Hamid Nagya, do Instituto privado paquistanês de Política por um Desenvolvimento Duradouro.
Desde que oficializou sua capacidade nuclear, em maio de 1998, em resposta a lançamentos de prova de mísseis indianos, o Paquistão não adotou uma doutrina nuclear e não tem política de "não atacar primeiro". O Paquistão se reserva o direito de utilizar seu armamento nuclear se "a existência do país estiver em jogo", conforme o general Khalid Kidwai, chefe da divisão estratégica da Autoridade de Comando Nacional (ACN) paquistanesa, encarregada do programa nuclear.
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