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 Bush fala em libertar o Iraque e manda mais tropas
03 de janeiro de 2003 19h25

Os Estados Unidos prepararam na sexta-feira o envio de mais tropas ao Golfo, onde já estão milhares de soldados, e o presidente George W. Bush disse que a guerra contra o Iraque será de libertação, e não de conquista. Um jornal estatal iraquiano chamou Bush de "mestre dos malvados". Milhares de pessoas foram às ruas no Paquistão e centenas participaram de um ato em Bahrein, país pró-Ocidente, em protesto contra a ameaça de ataque ao Iraque e ao que chamaram de "Holocausto dos Muçulmanos".

"Bush continua sendo o primeiro malvado do mestre dos malvados na Terra", disse o jornal Al-Iraq em editorial publicado na capa. O texto afirmou que Bush somente falou sobre uma solução pacífica para reduzir a ira pública mundial: "A verdade é que Bush queria esfriar o clima após o aumento da temperatura da ira do público mundial com suas ameaças e preparativos para uma agressão contra o Iraque".

Bush falou a milhares de soldados radiantes na maior base militar dos Estados Unidos, Fort Hood, no Estado do Texas. "Se Saddam selar seu destino ao recusar-se a se desarmar, ao ignorar a opinião do mundo, lutaremos não para conquistar, mas para libertar pessoas", disse Bush.

O Pentágono ordenou o envio ao Golfo de algumas unidades da 1ª Força Expedicionária dos Marines (fuzileiros navais), com base em Camp Pendleton, na Califórnia, afirmaram na sexta-feira autoridades do setor de defesa. Os militares dos Estados Unidos anunciaram o envio de mais de 11 mil soldados da 3ª Divisão de Infantaria, com base no Estado da Geórgia, bem como centenas de engenheiros e especialistas de inteligência a partir da Alemanha.

Cerca de 60 mil militares dos EUA já estão no Golfo e o número pode dobrar nas próximas semanas. Os inspetores de armas da ONU continuam as investigações no Iraque, mas ainda não encontraram provas de armas de destruição em massa no país.

Um porta-voz da ONU disse em Bagdá que foi realizada na sexta-feira uma inspeção em um local a 200 quilômetros a oeste de Bagdá usado para armazenar armas químicas antes da Guerra do Golfo, em 1991.

Os especialistas também vistoriaram uma área adjacente usada nos anos 1980 para testes com munição química, disse. Os dois locais, que ficam no deserto, já haviam sido inspecionados anteriormente por especialistas da ONU.

Mais de 100 inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e da Comissão de Monitoramento e Verificação da ONU (UNMOVIC) estão tentando inspecionar o que as indústrias iraquianas fizeram desde 1998, quando as equipes internacionais deixaram o país.

Na quinta-feira, o vice primeiro-ministro do Iraque, Tareq Aziz, acusou Washington de ter um "projeto imperialista" de invadir seu país rico em petróleo qualquer que seja o resultado das inspeções. O chefe dos inspetores, Hans Blix, disse na ONU na sexta-feira que os resultados vão incluir os testes de laboratório feitos com amostras coletadas no Iraque.

Ele apresentará um relatório interino ao Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira e viaja ao Iraque entre os dias 18 e 20 de Janeiro. Os principais grupos de oposição do Iraque reuniram-se na sexta-feira em Londres para decidir se convocarão um congresso em solo iraquiano antes de uma possível guerra.

Um comitê de 65 membros, dominado por seis grupos reconhecidos pelos Estados Unidos, foi escolhido durante encontro em Londres em dezembro para atuar como um governo no exílio.

Reuters
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