Reformistas do Irã querem plebiscito contra conservadores

20 de novembro de 2002 • 14h07 • atualizado às 14h07

Os aliados reformistas do presidente do Irã, Mohammad Khatami, disseram que poderiam pressionar pela realização de um plebiscito caso sejam vetados dois projetos de lei, elaborados como manobra para diminuir o poder hoje concentrado nas mãos dos conservadores. Khatami, pela primeira vez em seu governo (no segundo mandato) entrou em rota de colisão direta com os rivais conservadores ao apresentar ao Parlamento, em outubro, os projetos de lei.

As leis, se aprovadas pelos órgãos de supervisão controlados pelos conservadores, fortaleceriam o presidente em sua caminhada reformista. "Se os projetos não forem aprovados pelo establishment conservador, uma das nossas alternativas seria a realização de um plebiscito", disse o parlamentar Mohsen Mirdamadi.

A votação das leis no Parlamento aconteceu enquanto milhares de estudantes pró-reforma realizam quase diariamente protestos contra a condenação à morte de um dissidente. As manifestações alimentaram ainda mais a tensão política na República Islâmica. Os reformistas afirmam que, para a realização de um plebiscito, bastariam os votos de dois terços do Parlamento. Os conservadores defendem que tal medida só poderia ser convocada com a aprovação do Conselho de Guardiões e do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Frustrados com o bloqueio constante de seus esforços de reforma, os aliados do presidente e ele próprio ameaçaram renunciar caso, como se prevê, os projetos sejam vetados. Segundo um analista, porém, as renúncias só aconteceriam depois de esgotadas as chances de um plebiscito. Khatami declarou: "Não posso cumprir meus deveres se esses projetos não forem aprovados." O processo todo, porém, pode levar alguns meses até ser concluído.

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