Peritos relacionam videogames com franco-atirador

18 de outubro de 2002 • 09h00 • atualizado às 10h04

Videogames de tiroteio têm uma sinistra semelhança com os ataques do franco-atirador de Washington, que já matou nove pessoas desde 2 de outubro, na região da capital norte-americana. Em simulações muito realistas de cenas de tiroteios, estes jogos põem nas mãos dos jogadores algumas das mais mortais e sofisticadas armas de combate. No entanto, salas de bate-papo entre entusiastas podem provocar calafrios.

Em uma discussão online sobre o lançamento em setembro de Sniper: Path to Vengeance, um fã do simulador de tiroteio estava eufórico: "Parece ser muito parecido com o (jogo) Hitman. Ainda estou ansioso para pegá-lo e atirar em todas aquelas pessoas inocentes."

O jogo Hitman 2: Silent Assassin permite ao jogador se tornar um matador de aluguel, que depois de se fingir de vigia de uma igreja na Sicília, embarca em uma matança quando o pastor é seqüestrado. Outros games muito populares incluem o hit Counter Strike - o jogo favorito entre os 50 games do adolescente que matou 18 pessoas em uma escola em Erfurt, Alemanha, em abril deste ano - e Silent Scope, tido como ferramenta de treinamento pela Associação Norte-americana de Franco-Atiradores - representante dos atiradores de elite da polícia norte-americana.

Alguns críticos destes games violentos teorizam que o atirador de Washington poderia ter treinado em simuladores de tiroteios. "Esta pessoa tem uma perícia no tiro que não precisa ser a de um atirador profissional", diz Jack Thompson, um advogado da Flórida que tem relacionado games violentos a ataques a tiros no país.

Todas as vítimas do atirador de Washington foram mortas com um único tiro, disparado por um rifle de alta precisão e impacto. As vítimas, cujas idades variam de 13 a 72 anos, parecem ter sido escolhidas aleatoriamente, e foram baleadas em locais muito movimentados, como postos de gasolina e estacionamentos.

Apesar das semelhanças com games de simulação, autoridades norte-americanas ainda não relacionam o possível perfil do atirador ao de um jogador. Peritos independentes em criminologia caracterizam o atirador como alguém irracional e egoísta, que pode ter sido demitido do emprego, se separado ou divorciado.

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