Em segundo lugar ficou a lista curda, que aglutina os dois principais partidos desta etnia, com 75 cadeiras, enquanto a aliança liderada pelo primeiro-ministro em fim de mandato, Iyad Allawi, conseguiu 40 cadeiras. O restante das cadeiras está dividido entre um amplo número de partidos, sunitas, laicos, turcomanos e cristãos, que serão essenciais na hora de formalizar as alianças. O resultado oficial de hoje confirmou os dados da apuração provisória divulgada no domingo passado.
Uma maioria de dois terços é necessária para aprovar a escolha do presidente e dos dois vice-presidentes do país, o próximo passo do atual processo eleitoral. Depois de escolher o presidente e os dois vice-presidentes, a Assembléia Nacional deve eleger um primeiro-ministro e um gabinete de governo.
Prevê-se que a aliança xiita e o bloco curdo se aliem para conquistar a maioria qualificada. Ibrahim Al Jaafari, do Partido Dawa, xiita, é apontado como favorito para ocupar o cargo de premiê. No entanto, importantes lideranças do país disseram que o novo gabinete de governo deveria incluir membros da porção sunita da população, minoritária, mas privilegiada durante o regime do ex-ditador Saddam Hussein.
Muitos dos sunitas não votaram porque atenderam a convocações de boicote ao pleito ou porque ficaram com medo da violência prometida por insurgentes anti-EUA. Cerca de 8,5 milhões de votos foram depositados nas urnas, representando um comparecimento de cerca de 58% dos mais de 14 milhões de potenciais eleitores. A Aliança obteve cerca de 48 por cento do total de votos. Os curdos ficaram com quase 26% e Allawi com 14%.
Depois de formado, o novo governo iraquiano se deparará com grandes desafios, em especial com as tarefas de diminuir a falta de segurança no país e de discutir a retirada das forças norte-americanas. Muitos políticos xiitas e sunitas defendem a elaboração, ao menos, de um cronograma prevendo a saída dos soldados estrangeiros.
Jaafari e outros políticos importantes, de outro lado, acreditam que qualquer retirada precipitada dos norte-americanos poderia alimentar a violência no país, cujas forças de segurança são atacadas com frequência por rebeldes. Desde o pleito de janeiro, mais de cem membros dessas forças foram mortos por agressores suicidas.
Redação Terra