A chuva também parecia ter desanimado os manifestantes anticapitalistas que se opõem à reunião realizada sob forte esquema de segurança a 80 quilômetros da cidade portuária de Tessalônica. A Grécia mobilizou 16 mil militares e policiais nesta bela região para evitar os protestos que já se tornaram tradicionais em reuniões de políticos e empresários nos últimos anos. As lojas de Porto Carras fecharam suas portas.
O movimento antiglobalização esperava levar 100 mil pessoas à Grécia, mas só 1.500 participaram de uma passeata na noite de hoje (hora local) em Tessalônica. Muitos levavam faixas vermelhas e bandeiras comunistas. "Os líderes se reúnem como se fossem ladrões. Eles estão preocupados com a resistência popular", disse o manifestante grego Hercules Tsavlaridis.
Para os chefes de governo, uma boa notícia foi a absolvição do presidente do Banco Central francês, Jean-Claude Trichet, em um escândalo financeiro. Com isso, Trichet se torna definitivamente o favorito para suceder Wim Duisenberg como presidente do BC europeu, responsável pela política monetária em todos os países que adotam o euro como moeda.
Mas o momento mais importante da cúpula deve ser a sexta-feira, quando os 15 países da UE e dez candidatos à adesão começam a analisar a criação de uma Constituição européia, cujo esboço, preparado por uma comissão específica, vem sendo em geral bem recebido. A palavra final dos vários governos sobre os termos dessa Constituição será dada nas negociações que começam em outubro na Itália. O texto preliminar institui o cargo de presidente da UE, com mandato de cinco anos, acabando com o rodízio semestral entre os países. Ele também cria um cargo de chanceler e enxuga a Comissão Européia, que é o Poder Executivo do grupo.
Grã-Bretanha, Espanha e alguns países menores já disseram que vão querer mudanças no texto, e, hoje, o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, criticou os planos para diminuir sua força. Já Luxemburgo disse que a reabertura das discussões como um todo pode acarretar contratempos. Outro assunto que pode ser debatido na cúpula é a proposta italiana de aumentar gastos públicos em infra-estrutura e pesquisa para fortalecer a economia do grupo. A Itália assume a Presidência temporária da UE em 1º de julho.
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