Hillary conta que Clinton mentiu sobre adultério

04 de junho de 2003 • 15h19 • atualizado às 21h19
Hillary lança nova autobiografia que aborda seus oito anos como primeira-dama dos Estados Unidos Foto: Divulgação
Hillary lança nova autobiografia que aborda seus oito anos como primeira-dama dos Estados Unidos
04 de junho de 2003
Foto: Divulgação

Hillary Rodham Clinton reconheceu que teve acessos de choro e fúria pelo envolvimento de seu marido com a estagiária Monica Lewinsky e disse que o então presidente Bill Clinton mentiu a ela sobre essa relação até o fim de semana em que confessou o fato diante de um júri. A senadora por Nova York descreve o caso em "Living History", sua nova autobiografia que aborda seus oito anos como primeira-dama dos Estados Unidos.

"As decisões mais difíceis que tomei em minha vida foram continuar casada com Bill e me lançar candidata ao Senado por Nova York", relata. O livro será lançado na segunda-feira. A editoria Simon & Schuster, antecipando grandes vendas, ordenou uma primeira tiragem extraordinária de 1 milhão de exemplares. A senadora recebeu uma antecipação de US$ 2,85 milhões sobre os US$ 8 milhões prometidos.

Hillary conta que em princípio acreditou na história de seu marido - ele disse que havia apenas ajudado a estagiária quando pediu apoio para encontrar trabalho - e que a relação havia sido terrivelmente mal-interpretada. "Para mim, o caso Lewinsky parecia somente outro escândalo mal-intencionado fabricado por opositores políticos", diz.

Segundo o livro, Hillary seguia convencida de que seu marido não havia feito nada mesmo quando ele se preparava para depor diante de um júri, mais de seis meses depois. Então, de acordo com o texto, Clinton a acordou na manhã de sábado, 15 de agosto de 1998, deu alguns passos junto à cama e "pela primeira vez me disse que a situação era muito mais grave do que havia reconhecido antes".

"Agora que tinha que apresentar seu testemunho, ele confessava de que tinha havido uma intimidade ilícita. (Bill Clinton) me disse que o que havia ocorrido entre eles havia sido breve e esporádico", comenta Hillary. Pelo que consta do relato, o presidente estava envergonhado e sabia que ela se enojaria.

"Eu conseguia somente respirar. Abrindo a boca e arfando, comecei a chorar e a gritar, 'Que quer dizer? Que está dizendo? Por que me mentiu?' Estava furiosa e me enojando cada vez mais em questão de segundos. Ele somente ficou ali em pé, dizendo uma e outra vez, 'Eu sinto, sinto muito. Eu estava tentando proteger você e Chelsea (filha dos dois)'".

"Eu me sentia atônita, desgarrada interiormente e indignada porque havia acreditado nele", afirma Hillary. Ela diz que os olhos do presidente encheram de lágrimas quando ele disse que teria que confessar tudo à filha, uma adolescente na época. Finalmente, ela declara que decidiu que ainda amava seu marido, embora quisesse "enforcar Bill".

A ex-primeira-dama descreve com amargura os meses em que o casal viveu profunda frieza, sobretudo quando foram de férias na ilha de Martha's Vineyard, em Massachusetts, imediatamente depois do depoimento. Ali ela se sentia "profunda tristeza, desilusão e fúria", afirma. "Ele dormia no andar de baixo, eu no de cima". Segundo Hillary, Buddy, o cão da família, era o único "membro da família" disposto a ficar junto do presidente.

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