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Castro reorganiza PCC e destitui dirigente por abuso de poder

28 de abril de 2006 12h42

O comitê político do Partido Comunista de Cuba (PCC) decidiu restabelecer o Secretariado do organismo, extinto em 1991, e destituir um de seus dirigentes por abuso de poder e "atitudes desonestas", entre outras acusações.

Um comunicado do Comitê Central do PCC, principal órgão da direção do partido, divulgado hoje pelo jornal "Granma", indicou que as decisões foram tomadas em reunião realizada no dia 26 e presidida pelo líder cubano, Fidel Castro.

De acordo com a nota, o PCC, único partido da ilha, deve se preparar para responder às novas exigências após superar o chamado Período Especial, após a queda do bloco soviético em 1989.

O partido ainda deve "exercer maior influência e reforçar seu papel de direção para conseguir a participação plena do povo nas tarefas da construção do socialismo e na luta contra tudo que visa lesar, atrasar ou impedir o desenvolvimento da obra da Revolução".

Portanto, "cada vez será mais intenso e coordenado o combate às manifestações de indisciplina, corrupção e negligência, entre outras atitudes negativas".

A direção do PCC decidiu restabelecer o Secretariado, um órgão de direção que "auxiliará" o escritório político, encarregado de organizar a execução de seus acordos e zelar pela "correta aplicação da política de quadros tanto do próprio Partido como das demais instituições da sociedade".

O Secretariado do Comitê Central do PCC, criado em 1965 na constituição do Partido e composto por dez membros, foi extinto no IV Congresso, em 1991, e suas funções foram assumidas pelo escritório político.

A reunião ainda decidiu ampliar o número de departamentos do Aparelho Auxiliar do Comitê Central e criar áreas de Cultura, Saúde Pública e Ciência, que se somam às dez já existentes.

O escritório político avaliou também o trabalho de revisão realizado recentemente pelo PCC em centros trabalhistas para "eliminar ao máximo as indisciplinas e condutas incompatíveis com os princípios socialistas".

"Os resultados positivos obtidos não só aumentaram a autoridade e o prestígio do partido entre os trabalhadores e o povo em geral, mas também permitiram conhecer melhor as insuficiências presentes em seu trabalho, como também na administração", acrescentou a nota.

Os participantes do encontro decidiram expulsar do partido o membro do escritório político Juan Carlos Robinson Agramonte, ex-primeiro-secretário do comitê provincial do PCC em Santiago de Cuba. Ele foi considerado um "lamentável e incomum caso de incapacidade de um quadro político para superar seus erros".

Robinson, segundo a nota oficial, ignorou as críticas da direção do PCC e tornou "mais visíveis ainda certas manifestações de prepotência e altivez, abuso de poder e ostentação do cargo, indiscrições e abrandamento em seus princípios éticos, que expuseram atitudes desonestas incompatíveis com a conduta de um comunista e menos ainda de um quadro do partido".

EFE
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