inclusão de arquivo javascript

 
 

Pesadelo de Chernobyl persiste 20 anos após a tragédia

24 de abril de 2006 17h51 atualizado em 25 de abril de 2006 às 09h50

Foto de 1986 mostra central de Chernobyl; seta aponta para local da explosão do reator quatro . Foto: Reuters

Foto de 1986 mostra central de Chernobyl; seta aponta para local da explosão do reator quatro
Foto: Reuters

Vinte anos depois do fatídico 26 de abril de 1986, quando o reator número quatro da central de Chernobyl explodiu, milhões de pessoas continuam sofrendo os efeitos devastadores, econômicos, sociais e ecológicos, da maior catástrofe da história nuclear civil.

» Veja fotos da zona proibida de Chernobyl, 20 anos após a tragédia
» Veja fotos do acidente em Chernobyl
» Veja os danos causados pela tragédia em Chernobyl
» Tragédia de Chernobyl pode fazer mais vítimas. Assista ao vídeo
» Opine: Você teme outra tragédia com energia nuclear?
» Confira o especial sobre Chernobyl

A central, orgulho da indústria da antiga União Soviética, ficava na Ucrânia, perto da fronteira com a Bielorrússia, duas repúblicas então integrantes do império soviético.

A explosão provocou uma nuvem radioativa de grande intensidade que contaminou grande parte da Europa. Durante quase um mês, Moscou manteve um completo silêncio, antes de decidir retirar os 135 mil habitantes da região.

Em seguida enviou quase 600 mil pessoas, entre bombeiros, civis e soldados, que foram apelidados de "liquidadores", à zona afetada para a construção de um sarcófago para fechar o reator danificado durante pelo menos 20 a 30 anos.

Na ocasião, as previsões foram de dezenas de milhares de mortes. No entanto, um relatório divulgado pela ONU em setembro de 2005 afirmava que o número de falecidos chegou a 4 mil na Ucrânia, Bielorrússia e Rússia por causa dos cânceres provocados em conseqüência das radiações de Chernobyl.

Porém, o balanço recebeu muitas críticas, como as do grupo ecológico Greenpeace, que o qualificou de campanha de desinformação insultante para as vítimas. Um estudo elaborado por cientistas britânicos, divulgado no dia 11 de abril em Kiev, calcula o número de mortes relacionadas a Chernobyl entre 30 e 60 mil.

O impacto da contaminação nuclear sobre a saúde mental e física da população afetada também foi muito grave, sobretudo porque cinco milhões de pessoas continuam morando nas zonas radiadas.

"No início tínhamos medo de nós mesmos; diziam que estávamos sujos e nos sentíamos assim", lembra Liubov Sirienko, que teve que reconstruir a vida em outro local depois de ser obrigado a abandonar a região quando tinha 42 anos.

Além disso, décadas depois da catástrofe, as regiões afetadas permanecem social e economicamente devastadas. Um total de 350.000 pessoas foram evacuadas, 784.320 hectares de terras agrícolas passaram a ser zonas proibidas para o cultivo e outros 700.000 hectares tiveram vetada a produção de madeira.

O custo da catástrofe chegou a centenas de milhares de dólares, segundo a ONU. A esta situação é preciso acrescentar que o sarcófago, cheio de fissuras, ameaça ceder e as autoridades precisam construir um "arco" hermético, que custará mais de um bilhão de dólares, segundo o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Berd).

Chernobyl não será uma zona segura antes de pelo menos um século depois da construção do arco, disse Yulia Marussich, porta-voz da central. Marussich explica que o armazenamento definitivo das toneladas de dejetos radioativos existentes entre os escombros não está previsto.

Os efeitos de Chernobyl a longo prazo no meio ambiente e na saúde pública também são uma incógnita. Alguns especialistas já observaram uma intensificação de certas doenças, como o câncer de tireóide, entre os adultos.

No que diz respeito às conseqüências para o meio ambiente, atualmente não se vê nada, mas podem surgir modificações genéticas em 50 anos, segundo Rudolph Alexahin, diretor do Instituto de Radiologia Agrícola de Moscou.

AFP
AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.