Seul ameaça adotar linha dura com Tóquio por ilhas Dokdo

18 de abril de 2006 • 14h56 • atualizado às 14h56

O presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, disse hoje que seu Governo está disposto a adotar uma linha dura com o Japão se este país mantiver sua reivindicação sobre as ilhas de Dokdo, cuja soberania é disputada por Seul e Tóquio.

Roh afirmou em reunião com políticos sul-coreanos que está disposto a deixar para trás a "política diplomática tranqüila" mantida há décadas com Tóquio em relação a esta disputa territorial.

O mandatário sul-coreano denunciou também o plano do Japão de realizar explorações marinhas em uma região que a Coréia do Sul reivindica como de sua exclusiva jurisdição.

No final da colonização japonesa sobre a península coreana em 1945, com a derrota de Tóquio na II Guerra Mundial, o Governo sul-coreano proclamou sua soberania sobre estas pequenas ilhas inabitadas e anos depois estabeleceu um posto da guarda costeira.

Um navio japonês chegou hoje à região das ilhas Dokdo, que também são conhecidas como Takeshima, em japonês, para realizar uma série de pesquisas sobre o fundo do mar, cujas conclusões serão apresentadas em uma conferência internacional que será realizada no mês de junho.

A ação do Japão responde a uma iniciativa similar realizada pela Coréia do Sul, mas isso gerou uma nova onda de críticas e ameaças sul-coreanas.

"As crescentes provocações do Japão em torno das ilhas Dokdo estão de acordo com sua contínua distorção da história comum dos dois países e as repetidas visitas de seus líderes ao templo de Yasukuni", disse Roh.

O presidente sul-coreano se referia às visitas realizadas pelo primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, ao templo xintoísta de Yasukuni, em Tóquio, onde se honra a 2,5 milhões de mortos em combate, entre eles 14 criminosos de guerra.

Coréia do Sul, China e outros países asiáticos acusam o Japão de ter se esquecido dos crimes cometidos por seu Exército nos anos 30 e 40 do século passado, quando o Japão se lançou à conquista de boa parte do Leste da Ásia.

O Governo sul-coreano manifestou, em numerosas ocasiões, que as reivindicações japonesas sobre Dokdo são fruto de um neocolonialismo que o Japão procura relembrar, que é a época em que o país ocupou a península coreana, entre 1910 e 1945.

Tóquio acusa Seul de utilizar a desculpa das ilhas Dokdo para aumentar o sentimento antinipônico dos coreanos e assim maquiar os numerosos problemas políticos e de corrupção que a Coréia do Sul possui.

Os políticos japoneses, além disso, declaram que com sua pretensa soberania sobre as ilhas Dokdo a Coréia do Sul tenta estender suas águas territoriais para o leste, em direção ao Japão.

O ministro de Relações Exteriores sul-coreano, Ban Ki-moon, disse nesta terça-feira que, caso seja necessário, a soberania das ilhas terá prioridade sobre as próprias relações com o Japão, em apoio às declarações de Roh sobre um eventual endurecimento da política aplicada ao país vizinho.

Ban indicou que seu país não descartava utilizar as Dokdo como o ponto de começo de suas águas territoriais, afirmações que confirmaram os temores da classe política japonesa a esse respeito.

No dia 22 de fevereiro o problema das Dokdo se agravou quando os habitantes de Shimane, no oeste do Japão, celebraram o primeiro "Dia de Takeshima", em homenagem a este grupo de ilhas, e lembraram a lei que, nessa mesma data em 1905, estabeleceu que as ilhas eram parte desta província japonesa.

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