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Três em cada quatro casos de uma doença que é considerada a causa principal de cegueira entre os idosos se devem à ação de dois genes, segundo as últimas pesquisas publicadas pela revista Nature Genetics.
Cientistas das Universidades de Iowa e de Columbia, Nova York (EUA), descobriram que 74% dos pacientes que sofrem a chamada degeneração macular relacionada com a idade sofreram mutações em um ou dois desses genes.
Essa degeneração macular afeta a retina de 10% das pessoas com mais de 60 anos. Os cientistas conseguem compreender a maioria dos transtornos atribuídos a apenas uma mutação genética, como a doença de Hungtington ou a fibrose cística.
No entanto, é difícil para eles estabelecer o fator desencadeante de condições que se devem a mais de uma mutação genética.
A degeneração macular provoca a perda gradual da vista por causa do dano causado à mácula, área central da retina, muito sensível e responsável por uma boa visão.
Embora se saiba há muito tempo que a doença tem um forte componente hereditário, as últimas pesquisas indicam que as variantes de um gene conhecido como Fator H aumentam o índice de probabilidades de desenvolvê-la. O Fator H produz uma proteína que dá por encerrada a resposta imunológica a uma infecção bacteriana ou viral uma vez eliminados os elementos patógenos, o que evita danos ao tecido saudável.
As mutações desse gene parecem originar uma forte inflamação que pode causar danos à retina. O Fator H, no entanto, só pode explicar entre 30% e 60% dos casos da degeneração macular, por isso os cientistas analisaram outros genes para entender o que ocorre nos outros casos.
Uma nova análise genética de 1,3 mil pessoas levou os cientistas a concluírem que um segundo gene, conhecido como Fator B, também tem um impacto significativo nessa doença.
Este segundo fator desencadeia, em vez de frear, a resposta imunológica, e algumas variantes do mesmo parecem proteger o olho quando o indivíduo sofre uma mutação prejudicial do Fator H.
Segundo o estudo publicado na Nature Genetics, os dois fatores são responsáveis por 74% dos casos registrados da doença. "Confirmamos sua associação não só estatística e geneticamente, mas, o que é mais importante, determinamos a origem biológica da doença", afirma o diretor do estudo, Rando Allikmets, da Columbia University.
EFE
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