Gigantes da comunicação descobrem o seu lado "gay"

04 de março de 2006 • 13h37 • atualizado às 13h37

O sucesso de "O segredo de Brokeback Mountain" provocou uma série de iniciativas dirigidas ao público gay na indústria do entretenimento, que lançou editorias, canais de TV e até selos fonográficos para esse mercado.

O motivo foi a boa recepção do público e da crítica ao filme, a última aventura cinematográfica do diretor asiático Ang Lee e um dos favoritos na próxima edição do Oscar, que narra uma história de amor entre dois vaqueiros.

O filme serviu, em primeiro lugar, para as grandes corporações perceberem que os produtos com temas gays podem interessar a um segmento mais amplo de público, e não só aos homossexuais.

Mas por trás das iniciativas empresariais surgidas nos últimos meses se encontra uma idéia comum: a de conquistar um mercado que acumula um poder de compra multimilionário e que, no entanto, apenas começou a ser explorado.

Segundo o último estudo da Witeck-Combs Communications e da Packaged Facts, a população adulta homossexual, bissexual e transexual dos Estados Unidos poderia gastar este ano US$ 641 bilhões de dólares, 5% a mais que no ano passado.

A avaliação é de que 7% da população americana 14 e 16 milhões de adultos, gostam das pessoas de seu mesmo sexo, ou dos dois sexos ao mesmo tempo. Isso representa um mercado suculento para a indústria do entretenimento, especialmente por gastar mais em lazer que os heterossexuais.

A população gay, segundo a empresa de pesquisas Simmons, vai jantar fora mais vezes, e não costuma escolher "junk food"; assiste mais freqüentemente a shows e peças de teatro, e gasta muito mais em artigos eletrônicos que a população heterossexual.

Uma das grandes companhias de olho neste mercado é a Sony Music, que, associada ao empresário Matt Farber, criou um selo dedicado ao público gay, batizado "Music with a Twist".

A nova empresa reúne artistas de várias companhias, como Columbia Records, Epic ou Sony, que são homossexuais, como no caso da cantora Melissa Etheridge, ou exercem uma atração especial sobre os gays, como é o caso de Beyoncé.

Os primeiros lançamentos, previstos para junho vão ser coletâneas dos cantores Michael Stipe, do R.E.M., e Bette Midler.

Matt Farber, responsável pelo canal gay lançado pela MTV, o "Logo", no ano passado, criou também uma emissora de rádio, a "Twist Radio", que começou a transmitir em janeiro em oito estações do país, entre elas algumas de grandes corporações, como CBS e Clear Channel.

Tanto o nome do selo quanto o da emissora de rádio lembram um tipo de música, mas também, inevitavelmente, um dos protagonistas de "Brokeback", Jack Twist, interpretado pelo ator Jake Gyllenhaal.

O mundo da televisão, que há anos emite programas protagonizados por homossexuais ou dirigidos a eles, fez uma aposta mais alta com o lançamento de canais específicos para este segmento de público. Além do "Logo", da MTV, que entrou no ar em agosto, em breve a opção será o "Outzone TV", um canal administrado pela Bravo e de propriedade do gigante da comunicação NBC Universal.

A revalorização de tudo que tenha uma temática homossexual chegou também ao mercado editorial, como revelaram as últimas ações nesta indústria.

Recentemente, a PlanetOut se transformou no maior grupo de comunicação do mundo dirigido a gays e lésbicas, com a compra da LPI Media, por um total de US$ 31,1 milhões.

A LPI Media publica duas das revistas gays mais populares nos Estados Unidos, "Advocate" e "Out". Além disso é responsável pelas publicações "HIV Plus" e "Out Traveler", e pelos sites advocate.com e out.com.

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