Notícias » Notícias

 Vídeo prova que Bush sabia da ameaça do Katrina
01 de março de 2006 23h50 atualizado em 02 de março de 2006 às 07h58

Nova Orleans foi inundada após o furacão. Foto: AP

Nova Orleans foi inundada após o furacão
Foto: AP

O presidente americano, George W. Bush, foi advertido pela Agência Federal de Gestão de Crise (Fema, na sigla em inglês) da magnitude do furacão Katrina um dia antes que este atingisse a costa sul dos EUA, de acordo com uma gravação divulgada nesta quarta-feira pela agência de notícias AP.

No vídeo, gravado durante uma videoconferência com o presidente Bush e o secretário de Segurança Interna, Michael Chertoff, em 28 de agosto, um dia antes do desastre, o então diretor da Fema, Michael Brown, aparece afirmando que o furacão seria "enorme".

Alguns dias após o furacão, o presidente americano havia comentado que ninguém poderia ter previsto seu impacto, assim como a ruptura dos diques em Nova Orleans. Em 23 de fevereiro passado, porém, a Casa Branca fez um mea-culpa pela resposta tardia ao desastre.

Durante a videoconferência, Michael Brown alerta Bush: "Este é um bem grande", um dia antes que o Katrina tocasse a terra, deixando mais de 1,3 mil mortos, além de devastar várias cidades costeiras no Mississippi (sul) e submergir um terço da cidade de Nova Orleans (Louisiana), após a ruptura dos diques.

Nas imagens, vê-se Brown expressando sua preocupação a Bush em relação à vulnerabilidade do Superdome, o estádio de Nova Orleans onde milhares de moradores se abrigaram. "O Superdome está cerca de 3,6 metros abaixo do nível do mar (...) não sei se o teto está concebido para resistir a um furacão de categoria 5", disse ele.

Na gravação, Bush aparece em seu rancho em Crawford (Texas). Durante a teleconferência, o presidente não faz uma única pergunta, limitando-se a dizer: "estamos completamente preparados". "Enviaremos todos os nossos recursos e os meios necessários de que dispomos após o furacão", garantiu.

Prefeito de Nova Orleans se diz "chocado"
O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, disse na quarta-feira estar chocado com o vídeo. A fita contradiz as declarações de Bush, dadas quatro dias depois da passagem da tormenta. "Acho que ninguém anteciparia o rompimento dos diques. Me surpreende que tenha havido esse nível de consciência. Por que a resposta foi tão lenta?", indagou o prefeito, cuja cidade foi devastada por pesadas enchentes após a passagem do Katrina.

"Olhando esta fita parece que todos sabiam", disse o prefeito. Nagin ouviu o conteúdo da fita usando fones de ouvido e assistiu a um trecho dela pela primeira vez na frente dos jornalistas.

O porta-voz da Casa Branca, Trent Duffy, disse que a fita é ilusória. "A mim, ela parece sugerir que o presidente não esteve completamente engajado na resposta ao furacão Katrina. O presidente esteve completamente engajado e envolvido nas reuniões sobre esta resposta", disse.

Duffy disse que envolvimento de Bush inclui declarações sobre o desastre e apelos para que as pessoas deixassem suas casas e para autoridades estaduais levarem a população para lugares mais seguros.

Seis meses depois da passagem do Katrina, muitos bairros da região ainda não voltaram à normalidade. Bush foi duramente criticado por sua lenta reação ao desastre e um relatório do Congresso assinalou, no mês passado, que o Governo não estava preparado para a catástrofe, e que se o presidente tivesse acelerado sua intervenção podia ter melhorado a situação na região.

Redação Terra