"Homem fazendo amor com outro homem... é obsceno. Isso pode ser normal no Ocidente, mas na África, e em Camarões em particular, isso é impensável", disse à Reuters o publisher do L''Anecdote, Jean Pierre Amougou Belinga.
"Nós não poderíamos ficar quietos. Nós tínhamos que soar o alarme. Nós não nos arrependemos e temos que fazer isso de novo... apesar das muitas ameaças que eu e meus jornalistas temos sofrido."
A homossexualidade é ilegal em muitos países da África, incluindo Camarões, e é com freqüência condenada publicamente como comportamento "não-africano". Em algumas crenças tradicionais, os homossexuais são considerados amaldiçoados ou enfeitiçados. A relação com uma pessoa de mesmo sexo leva a uma pena de seis meses a cinco anos na prisão e multa de até 370 dólares, segundo a lei camaronesa.
A África do Sul deve se tornar o primeiro país africano a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois que sua mais alta corte judicial decidiu, em dezembro, ser inconstitucional negar às pessoas gays o direito de se casar.
Outro tablóide, o La Meteo, lançou a campanha para "desmascarar" gays em Camarões no mês passado, publicando na primeira página a manchete "Homossexualidade no topo da hierarquia do governo" e um dossiê de três páginas nomeando ministros e músicos locais.
O ministro das Comunicações, Pierre Moukoko Mbonjo, que está entre os supostos homossexuais, ameaçou processar o jornal e disse que a mídia de Camarões estava se arriscando a destruir famílias. "Seja heterossexual ou homossexual, a relação sexual se dá em um ambiente íntimo entre duas pessoas", disse ele a executivos da mídia em um discurso no mês passado.
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