Jornais de Camarões tentam 'desmascarar' gays

04 de fevereiro de 2006 • 17h23 • atualizado às 17h52

Jornais sensacionalistas de Camarões começaram a publicar listas e fotos de políticos, empresários e músicos supostamente gays, em um movimento contra o comportamento homossexual liderado pelos editores. Vendedores de rua têm sido forçados a vender fotocópias da última edição do tablóide semanal L''Anecdote, que se esgotou em horas no início desta semana depois de publicar a última lista com mais de 50 nomes, incluindo importantes autoridades governamentais.

"Homem fazendo amor com outro homem... é obsceno. Isso pode ser normal no Ocidente, mas na África, e em Camarões em particular, isso é impensável", disse à Reuters o publisher do L''Anecdote, Jean Pierre Amougou Belinga.

"Nós não poderíamos ficar quietos. Nós tínhamos que soar o alarme. Nós não nos arrependemos e temos que fazer isso de novo... apesar das muitas ameaças que eu e meus jornalistas temos sofrido."

A homossexualidade é ilegal em muitos países da África, incluindo Camarões, e é com freqüência condenada publicamente como comportamento "não-africano". Em algumas crenças tradicionais, os homossexuais são considerados amaldiçoados ou enfeitiçados. A relação com uma pessoa de mesmo sexo leva a uma pena de seis meses a cinco anos na prisão e multa de até 370 dólares, segundo a lei camaronesa.

A África do Sul deve se tornar o primeiro país africano a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois que sua mais alta corte judicial decidiu, em dezembro, ser inconstitucional negar às pessoas gays o direito de se casar.

Outro tablóide, o La Meteo, lançou a campanha para "desmascarar" gays em Camarões no mês passado, publicando na primeira página a manchete "Homossexualidade no topo da hierarquia do governo" e um dossiê de três páginas nomeando ministros e músicos locais.

O ministro das Comunicações, Pierre Moukoko Mbonjo, que está entre os supostos homossexuais, ameaçou processar o jornal e disse que a mídia de Camarões estava se arriscando a destruir famílias. "Seja heterossexual ou homossexual, a relação sexual se dá em um ambiente íntimo entre duas pessoas", disse ele a executivos da mídia em um discurso no mês passado.

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