Índia acusa Paquistão de abrigar extremistas

09 de fevereiro de 2003 • 16h22 • atualizado às 16h22

O conselheiro nacional de segurança da Índia disse hoje que forças extremistas religiosas estavam crescendo no governo do Paquistão, um dia após as expulsões retaliatórias de diplomatas dos países rivais no Sudeste Asiático.

Em uma referência velada ao Paquistão, Brajesh Mishra disse que a coalizão internacional contra o terrorismo "contém membros que são parte do problema" e que não poderiam ser aliados de longo prazo na batalha. Mishra disse que essencialmente não havia diferença entre os militantes que agem nas fronteiras do Paquistão e do Afeganistão e aqueles por trás do "terrorismo de fronteiras" na Caxemira indiana. "Se os perpetuadores deste último são diferentes dos grupos da Al-Qaeda é apenas em seus nomes e nos números de contas bancárias - não em suas ideologias, objetivos ou patrocinadores", disse ela em uma conferência de segurança na cidade alemã de Munique.

Mishra, que é também o principal secretário do premiê indiano Atal Behari Vajpayee, disse que "a nova versão de democracia" que o Paquistão recentemente descobriu trouxe mais forças extremistas religiosas ao seu sistema de governo. "Os abrigos seguros para elementos da Al-Qaeda e do Talibã, por consequência, devem se expandir", ele falou.

Mishra disse que a Índia estava preocupada porque acredita que as armas nucleares do Paquistão estão estocadas em túneis e cavernas nas Colinas de Chagai e está inquieta com os relatos de "atividades freelance" de alguns cientistas nucleares paquistaneses. A Índia vem acusando há tempos o Paquistão islâmico de armar, treinar e financiar militantes em seus Estados de maioria muçulmana de Jammu e Caxemira, e de permitir que eles cruzem a linha de controle que separa os países da região.

O Paquistão nega as acusações, dizendo que apenas dá apoio moral ao que chama de luta legítima do povo da Caxemira pela liberdade. Dezenas de milhares de pessoas já morreram na revolta sangrenta contra a administração de Nova Délhi na Caxemira indiana desde 1989.

Mishra disse que atualmente não havia tensão nas fronteiras, mas ainda restava tensão diplomática. A expulsão de vários diplomatas do primeiro escalão de Islamabad e Nova Délhi, neste fim de semana, aconteceu depois que a Índia expulsou o Alto Comissário do Paquistão, Jalil Abbas Jilani, por supostamente financiar separatistas da Caxemira.

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