Abdel Asis a-Rantisi, porta-voz do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), afirmou que o anúncio da ANP é uma estratégia política. "A ANP sabe perfeitamente que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, não tem um plano político nem a intenção de retomar as negociações para a paz", afirmou a-Rantisi.
O líder da Jihad Islâmica, Muhamad al-Hindi, afirmou que o que a ANP diz é como "sonhar acordado, nada mais que uma ilusão. (Eles) Tentam nos convencer de que é possível falar com Sharon".
Conforme um comunicado oficial emitido hoje, a ANP se propõe a negociar com Israel um cessar-fogo geral e a retomar imediatamente as negociações de paz com o apoio do Quarteto de Madri, organismo diplomático máximo encarregado de solucionar o conflito no Oriente Médio. O cessar-fogo constituiria um fim de todos os ataques armados contra alvos israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, além da suspensão dos atentados suicidas em Israel.
"A liderança e o povo palestino ainda acham que uma paz justa, global e duradoura é a única solução para palestinos e israelenses", disse o ministro de Governo Local da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Saeb Erekat. Na proposta oficial, a ANP manifesta "surpresa pela recusa e pela arrogância do Governo israelense em sua rejeição a um pedido palestino para acabar com a violência e chegar à paz".
Esta semana, Sharon rejeitou uma proposta de Arafat para se reunir com ele depois da vitória eleitoral que obteve nas eleições parlamentares da terça-feira passada à frente do bloco direitista Likud. O chefe reeleito do Governo israelense acha que o presidente Arafat é "o rei dos terroristas palestinos" e sistematicamente se recusou a se reunir com ele, classificando como "irrelevante como sócio para a paz".
Além disso, a ANP acusou Israel de ter previsto "a continuidade das medidas militares contra o povo palestino diante dos olhos e dos ouvidos do mundo inteiro". Israel ocupou de novo a maioria das cidades e aldeias na Cisjordânia e controla amplos territórios na Faixa de Gaza, onde realiza incursões militares diariamente.
Em seu comunicado, o Gabinete Nacional de Arafat em Ramala também expressa seu apoio às negociações no Cairo entre representantes das 13 facções da resistência palestina contra a ocupação israelense, que serão retomadas na terça-feira. Trata-se de negociações promovidas pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, para acordar um cessar-fogo de um ano com Israel e permitir o reatamento das negociações de paz, que se realizavam nesse país e que estão interrompidas há dois anos.
As negociações entre os dirigentes palestinos fracassaram até agora, porque pelo menos duas das facções, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e a Jihad Islâmica, se negam a cessar seus ataques em Israel ou na Cisjordânia e em Gaza contra o Exército e os assentamentos judeus.
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