Organizações islâmicas rejeitam cessar-fogo da ANP

01 de fevereiro de 2003 • 23h10 • atualizado às 23h10

As organizações islâmicas palestinas, responsáveis por dezenas de atentados suicidas, classificam como ilusório o pedido da Autoridade Nacional Palestina (ANP) para um cessar-fogo com Israel. As facções palestinas que se opõem às negociações com Israel afirmaram que "a resistência armada contra Israel continuará enquanto existir uma ocupação militar israelense nos territórios palestinos".

Abdel Asis a-Rantisi, porta-voz do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), afirmou que o anúncio da ANP é uma estratégia política. "A ANP sabe perfeitamente que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, não tem um plano político nem a intenção de retomar as negociações para a paz", afirmou a-Rantisi.

O líder da Jihad Islâmica, Muhamad al-Hindi, afirmou que o que a ANP diz é como "sonhar acordado, nada mais que uma ilusão. (Eles) Tentam nos convencer de que é possível falar com Sharon".

Conforme um comunicado oficial emitido hoje, a ANP se propõe a negociar com Israel um cessar-fogo geral e a retomar imediatamente as negociações de paz com o apoio do Quarteto de Madri, organismo diplomático máximo encarregado de solucionar o conflito no Oriente Médio. O cessar-fogo constituiria um fim de todos os ataques armados contra alvos israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, além da suspensão dos atentados suicidas em Israel.

"A liderança e o povo palestino ainda acham que uma paz justa, global e duradoura é a única solução para palestinos e israelenses", disse o ministro de Governo Local da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Saeb Erekat. Na proposta oficial, a ANP manifesta "surpresa pela recusa e pela arrogância do Governo israelense em sua rejeição a um pedido palestino para acabar com a violência e chegar à paz".

Esta semana, Sharon rejeitou uma proposta de Arafat para se reunir com ele depois da vitória eleitoral que obteve nas eleições parlamentares da terça-feira passada à frente do bloco direitista Likud. O chefe reeleito do Governo israelense acha que o presidente Arafat é "o rei dos terroristas palestinos" e sistematicamente se recusou a se reunir com ele, classificando como "irrelevante como sócio para a paz".

Além disso, a ANP acusou Israel de ter previsto "a continuidade das medidas militares contra o povo palestino diante dos olhos e dos ouvidos do mundo inteiro". Israel ocupou de novo a maioria das cidades e aldeias na Cisjordânia e controla amplos territórios na Faixa de Gaza, onde realiza incursões militares diariamente.

Em seu comunicado, o Gabinete Nacional de Arafat em Ramala também expressa seu apoio às negociações no Cairo entre representantes das 13 facções da resistência palestina contra a ocupação israelense, que serão retomadas na terça-feira. Trata-se de negociações promovidas pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, para acordar um cessar-fogo de um ano com Israel e permitir o reatamento das negociações de paz, que se realizavam nesse país e que estão interrompidas há dois anos.

As negociações entre os dirigentes palestinos fracassaram até agora, porque pelo menos duas das facções, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e a Jihad Islâmica, se negam a cessar seus ataques em Israel ou na Cisjordânia e em Gaza contra o Exército e os assentamentos judeus.

EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »