Incursão israelense deixa 12 mortos e 64 feridos

25 de janeiro de 2003 • 21h27 • atualizado em 26 de janeiro de 2003 às 23h36

Subiu para 12 o númro de mortos após a maior operação armada feita pelo exército israelense contra a Autoridade Palestina, desde sua criação, em 1994. Os feridos chegam a 64. O exército se retirou da cidade às 6h da manhã de hoje (horario local).

A operação militar, com dezenas de tanques e helicópteros e realizada a apenas três dias das eleições em Israel, afetou especialmente o bairro de Saitun, no sul da cidade. Fontes médicas no Hospital Shifa, de Gaza, disseram que a maioria dos mortos e dos feridos é de civis, e que todos apresentam ferimentos provocados por tiros de grosso calibre lançados de tanques e helicópteros.

Dúzias de tanques, veículos blindados e escavadeiras, apoiados por helicópteros, irromperam de madrugada nessa região do sul de Gaza, especialmente superpovoada e submetida a pressão, encontrando a resistência dos milicianos palestinos. O exército destruiu seis casas do bairro pertencentes a famílias de militantes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) mortos em ataques suicidas contra alvos israelenses.

As tropas israelenses também explodiram 20 garagens e oficinas metalúrgicas da área alegando que estavam sendo usadas para fabricar bombas e armas caseiras. Testemunhas palestinas da operação explicaram que o exército destruiu duas fábricas e que os projéteis lançados pelos tanques calcinaram a maioria das barracas instalados em um mercado público do centro da cidade.

A incursão militar encontrou resposta dos milicianos palestinos, equipados com armas leves e granadas, que tentaram enfrentar a invasão. Grupos de milicianos informaram que conseguiram destruir dois tanques, enquanto algumas testemunhas afirmaram ter visto ambulâncias do exército israelense levando soldados feridos.

Ao fim da operação, o ministro da Defesa, Saúl Mofaz, disse hoje que "temos todas as opções abertas, inclusive a reocupação da Faixa de Gaza", em declarações à rádio israelense. "A ocupação militar já foi considerada no passado e nós vamos decidir quando realizá-la", declarou.

"Nosso dever é defender os cidadãos de Israel onde e quando for necessário e por todos os meios a nosso alcance", afirmou o general da reserva, ao antecipar que as autoridades militares estão preparando operações semelhantes para Hebron, onde na quinta-feira passada três soldados morreram em um ataque de palestinos armados.

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