Turco que tentou matar Papa deixa prisão na 5ª

09 de janeiro de 2006 • 16h33 • atualizado às 16h40
Imagem de arquivo mostra o turco (centro) saindo do tribunal em 1995 Foto: EFE
Imagem de arquivo mostra o turco (centro) saindo do tribunal em 1995
08 de janeiro de 2006
Foto: EFE

Mehmet Ali Agca, o turco que tentou assassinar o Papa João Paulo II, sairá da prisão na próxima quinta-feira depois de cumprir sua condenação. A informação foi divulgada nesta segunda-feira seu advogado, Mustafá Demirbag.

Demirbag explicou que seu cliente será liberado depois de Agca, 48 anos, ter se beneficiado, em 2002, de uma anistia e da redução de sua pena. Um tribunal de justiça turco autorizou no domingo a libertação de Agca nessa semana.

No dia 13 de maio de 1981, Mehmet Ali Agca, militante ultra-nacionalista então com 23 anos de idade, abriu fogo contra João Paulo II na praça São Pedro em Roma, no momento que o religioso participava de uma audiência em carro descoberto. Restabelecido, João Paulo II encontrou o agressor na prisão, concedendo-lhe o perdão.

O motivo desta tentativa frustrada de assassinato ainda é mistério. Um envolvimento dos serviços secretos búlgaros e soviéticos foi analisada, não sendo jamais provado.

Extraditado para a Turquia em 2000, depois de ter passado 19 anos em prisões italianas, Agca havia sido condenado à prisão perpétua em seu país pelo assalto a banco cometido nos anos 70 e pelo assassinato de um jornalista turco em 1979, uma pena comutada depois a 10 anos de prisão.

Quando João Paulo II morreu em abril de 2005, Agca declarou em sua cela que estava de luto por seu "irmão espiritual" e pediu às autoridades turcas que o deixassem assistir aos funerais do Papa, mas seu pedido foi rejeitado. Muitos consideram Agca como perturbado psiquicamente, enquanto outros vêem nele um manipulador que brinca com as doenças mentais.

O juiz italiano Ferdinando Imposimato, que processou em Roma Ali Agca, afirmou temer que ele seja assassinado depois de sua libertação. "Estou convencido de que a vida de Ali Agca corre perigo tão logo seja libertado, pois ele sabe muitas coisas sobre o complô organizado contra o Papa João Paulo II", declarou o ex-juiz à imprensa local.

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