Em uma reunião com a Associação de Reservistas dos EUA, Rumsfeld não hesitou em explicar os planos de Washington e em assegurar que nessas reuniões chegou-se a conclusões concretas. O secretário da Defesa disse que foi acordado uma série de princípios políticos e militares que devem vigorar nesse cenário pós-Saddam, entre os quais citou a obrigada destruição das armas de destruição em massa e a inviolabilidade das fronteiras do Iraque.
Sobre o futuro Governo iraquiano, Rumsfeld disse que "deve ser algo que possamos chamar de democracia, mas que seja respeitoso com os direitos das minorias e que não seja um molde do sistema dos Estados Unidos ou um molde do sistema do Reino Unido". "Terá que ser algo evidentemente iraquiano", disse.
Para coordenar planos que evitem o caos no Iraque depois de uma possível guerra, o Pentágono abriu um escritório especial que estudará em detalhe as necessidades que as forças armadas dos EUA podem ter depois do conflito, especialmente em matéria humanitária. Washington trabalha há meses com a oposição iraquiana para traçar um novo Governo em Bagdá, e há semanas treina militarmente na Hungria opositores iraquianos que acompanharão as tropas americanas em uma invasão. Rumsfeld expressou também seu desejo de que os soldados norte-americanos tenham a colaboração do povo do Iraque.
O plano exposto pelo secretário da Defesa apóia a idéia de que Washington vê poucas saídas à crise que não seja uma intervenção armada, apesar de oficialmente insistir que o presidente Bush ainda não tomou a decisão de ir à guerra. "Estamos no final de um longo caminho e as opções se esgotam", disse Rumsfeld, que destacou que "já não é necessário um prazo de meses para determinar se (os iraquianos) estão ou não cooperando" com as Nações Unidas.
Nas últimas horas, Rumsfeld, o secretário de Estado, Colin Powell, e a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, insistiram em que o tempo está acabando e expressaram suas dúvidas sobre a exitência de outra solução que não seja uma ação armada. A única opção para evitar a guerra, destacaram, seria que o líder iraquiano se exilasse, que fosse assassinado ou que um golpe de Estado de seus generais tirasse-o definitivamente do poder, em troca de uma anistia garantida pela ONU.
No entanto, Rice considera que qualquer destas possibilidades é "improvável", sobretudo a do exílio, porque ninguém que conhece o líder iraquiano, segundo a conselheira de Segurança Nacional, acha que ele aceitará deixar o Iraque voluntariamente. Powell também disse que é "improvável que este homem vá embora, a não ser que seja forçado a isso". Por esta razão, o Governo norte-americano manteve a pressão diplomática e militar para forçar o desarmamento iraquiano, e recebeu com ceticismo o compromisso do Iraque com os inspetores de armas das Nações Unidas para facilitar seu trabalho.
O porta-voz presidencial, Ari Fleischer, disse em declarações à imprensa que só estão interessados nas ações. "Após 11 ou 12 anos vendo Saddam Hussein falar e não cumprir, sua palavra não é tão significativa como suas ações". Fleischer atribuiu a disposição das autoridades iraquianas a colaborar a uma tentativa de ganhar tempo e evitar que a comunidade internacional dê novos passos para garantir que o Iraque revele e destrua seus supostos arsenais de armas de destruição em massa.
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