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 Denúncia de campanha em conclave surpreende cardeal
26 de dezembro de 2005 01h58 atualizado às 08h13

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Geraldo Majella Agnelo, se disse "admirado" neste domingo com a denúncia de que o alemão Joseph Ratzinger teria realizado campanha eleitoral para se tornar o papa Bento XVI no conclave dos dias 18 e 19 de abril deste ano, logo após a morte de João Paulo II. D. Agnelo foi um dos integrantes do conclave.

"Estou admirado. Dos quatro cardeais brasileiros que participaram do conclave, eu incluído, não consigo imaginar quem teria afirmado isso. Eu posso testemunhar que não recordo de, em momento algum, ter ouvido palavra que se referisse a nomes ou grupos", declarou à rádio CBN.

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    O jornal O Globo denunciou, em sua edição de domingo, que Ratzinger não só anunciou sua candidatura aos membros do conclave como lançou mão de influentes cardeais conservadores como cabos eleitorais. A Nunciatura Apostólica no Brasil, embaixada do Vaticano no Brasil, não se pronunciou sobre o caso. Oficialmente, a eleição do novo Papa pelos cardeais se dá por meio da inpiração divina, personificada na figura do Espírito Santo.

    A denúncia teve como fonte um cardeal brasileiro que não quis se identificar, enquanto um bispo também ouvido pelo jornal, na condição de anonimato, afirmou ser normal a ocorrência de acordos e campanha eleitoral na escolha do próximo Sumo Pontífice.

    Oito anos antes de se tornar Bento XVI, o próprio Joseph Ratzinger já tinha afirmado que não era o Espírito Santo o responsável pela escolha do novo chefe da Igreja Católica durante o processo realizado na Capela Sistina. De acordo com análise sua realizada durante entrevista a uma TV alemã e mencionada em livro, Ratzinger afirmou que o Espírito Santo não "dita o candidato em quem se deve votar" e "não controla exatamente o processo mas, como o bom educador que ele é, deixa-nos muito espaço, muita liberdade, sem nos abandonar inteiramente". O alemão fez as declarações quando já tinha participado de dois conclaves.

    Fontes da CNBB ouvidas por O Globo admitiram ser natural a rede apoio formada por grupos conservadores como a Opus Dei à eleição de Joseph Ratzinger.

  • Redação Terra