Iraque volta a acusar inspetores e crise só piora

12 de janeiro de 2003 • 11h17 • atualizado às 13h22

O vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, acusou os inspetores de armas da ONU de espionagem, repetindo as acusações feitas na semana anterior pelo presidente Saddam Hussein. Enquanto isso, seguem as inspeções pelo país e a Inglaterra se prepara para aumentar o efetivo no Golfo com mais 8 mil combatentes.

Os Estados Unidos acusam o Iraque de possuir armas de destruição em massa proibidas, e ameaçou iniciar uma guerra se o país não cooperar com uma nova resolução de desarmamento do Conselho de Segurança da ONU. O Iraque nega que possua tais armas, mas os EUA já estão reunindo forças militares no Golfo Pérsico, para o caso de a guerra ser deflagrada.

De acordo com o jornal oficial Al-Jumhouriya, Ramadan declarou: "Sabemos que eles estão atuando como agentes de inteligência. O modo como conduzem suas investigações e os locais que escolhem para visitar não têm nada a ver com armas de destruição em massa.Mas estamos cooperando com as equipes de inspeção de maneira positiva, de modo a expor as mentiras das pessoas com má-intenção. As ameaças norte-americanas de guerra contra o povo do Iraque são injustificáveis (...)".

Especialistas da Comissão de Inspeção, Verificação e Monitoramento de Armas da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica visitaram hoje pelo menos oito localidades. Uma equipe especializada em armas biológicas foi a três locais em Bagdá e seus arredores, ao passo que outro grupo, à procura de armas químicas, visitou uma empresa fabricante de plástico nos subúrbios da capital.

Uma equipe à procura de mísseis dirigiu-se à Basra, ao sul do país, e outra visitou dois endereços pertencentes à Comissão Iraquiana de Industrialização Militar, a 50 quilômetros a noroeste de Bagdá. O último grupo de inspetores analisou as instalações da comissão em Jaber bin Haiyan, ao norte da cidade de Mosul, a 375 quilômetros ao norte da capital.

O mundo frente à guerra
O Al-Thawra, jornal do partido dominante Baath, acusou a comunidade mundial de não fazer nada para evitar a guerra: "O mundo não deveria ficar de braços cruzados em relação a essas ameaças. Deveria assumir sua responsabilidade e dar um basta às intenções agressivas dos norte-americanos contra o Iraque. É verdade que há uma rejeição internacional das ameaças dos EUA, mas isso não é suficiente. Deve haver medidas práticas para impedir a concretização das ameaças".

O Reino Unido enviou ontem ao Golfo o maior porta-aviões da marinha britânica, o Ark Royal, com 1,1 mil tripulantes. Ele vai liderar a esquadra de 16 navios, com cerca de oito mil combatentes, que partirá para o oriente nos próximos dias. Esta é a maior força-tarefa anfíbia deslocada pela Inglaterra desde a Guerra das Malvinas, em 1982. Hoje milhares de pessoas se uniram no centro de Los Angeles para protestar contra uma possível guerra.

Sexta-feira, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, determinou a mobilização de mais 35 mil militares, incluindo marines e pilotos de aviões de combate. Essa foi a maior convocação desde que o Pentágono começou publicamente a acionar soldados e forças nas últimas semanas.

A outra importante força militar do bloco, a França, insiste em uma ordem internacional para que se comece a guerra. A Alemanha se opõe abertamente à idéia de atacar o Iraque.

Os EUA já haviam proposto para a Otan que, em caso de guerra, a aliança poderia providenciar a defesa com mísseis ao sul da Turquia e disponibilizar aviões-radar da organização, bem como navios de patrulha e detectores de minas.

Relações EUA-Coréia do Norte também ameaçam a paz mundial
Paralelamente à crise com o Iraque, os Estados Unidos enfrentam as ameaças nucleares norte-coreanas. O país anunciou sua retirada do tratado de não-proliferação nuclear na sexta-feira, e hoje sustentou que tem poder suficiente para transformar os EUA em um "mar de fogo".

Ontem, a Coréia havia ameaçado retomar testes de mísseis balísticos, e afirmou que se o governo Bush não parasse de ameaçar seu país seria deflagrada uma guerra nuclear. O secretário de Estado adjunto dos EUA James Kelly chegou hoje à Coréia do Sul para examinar a escalada da crise.

Com sua retirada do tratado, a Coréia do Norte passa a ser o primeiro país dos 188 assinantes do Tratado a abandoná-lo. A Coréia do Norte admitiu em outubro que tem um programa secreto de enriquecimento de urânio. Em dezembro, o país decidiu reativar uma instalação nuclear com capacidade de fazer plutônio. O local havia sido desativado em respeito a um acordo antinuclear assinado em 1994 com os Estados Unidos.

Redação Terra
 
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